Bruno Reis afirma que Prefeitura não responde sobre cobrança no aeroporto
Regulação do sistema de cobrança no aeroporto seria de responsabilidade federal
Por: Jaísa de Almeida
15/05/2026 • 16:50 • Atualizado
A repercussão em torno da cobrança para veículos que ultrapassam o tempo permitido na área de embarque do Aeroporto Internacional de Salvador, denominada de Kiss & Fly , chegou ao Executivo municipal. Nesta sexta-feira (15), o prefeito Bruno Reis declarou que a administração da capital baiana não participou da decisão nem possui atribuição para intervir na medida.
A declaração ocorreu durante o lançamento do Programa IngreSSAr 2026. Ao ser questionado sobre o posicionamento da gestão soteropolitana diante das reclamações de motoristas por aplicativo e usuários do terminal, o prefeito afirmou que o equipamento é regulado pela União e opera sob concessão federal.
Segundo ele, a competência para deliberar sobre regras internas do aeroporto não pertence ao Município. Além disso, também mencionou que a Câmara Municipal tem autonomia para discutir o tema, caso entenda necessário.
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“A Câmara tem autonomia, os vereadores, para aprovar os projetos e as matérias que acharem que são importantes para a cidade”, aponta. Durante a declaração, o prefeito indicou ainda a Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) como órgão responsável pela fiscalização e regulamentação do espaço:
“Quem tem que regulamentar isso é a ANAC. Se é devido ou não, se é possível ou não implantar qualquer tipo de organização interna”, afirmou.
Críticas já haviam partido do Legislativo
O tema, no entanto, já havia sido alvo de críticas no Legislativo. Em entrevista exclusiva ao portal Esfera, no início do mês de maio, o presidente da Câmara, vereador Carlos Muniz (PSDB), classificou a implantação do sistema como abusiva e criticou a ausência de debate público.
“Qualquer cobrança que não seja debatida antes é abusiva. Em 10 minutos, muitas vezes não é possível sequer deixar um cadeirante com segurança [...] Não houve audiência pública, não houve escuta. A população não foi ouvida”, relatou o parlamentar.
Cobrança em área de embarque
O modelo Kiss & Fly estabelece um período gratuito para parada de veículos na área de embarque e desembarque. Caso o tempo seja ultrapassado, passa a valer a tarifa de R$18 para permanências acima de 10 minutos. O sistema começou a ser testado recentemente pela concessionária Vinci, responsável pela administração do terminal.
Procurada anteriormente pelo Esfera, a gestão do Aeroporto informou que a iniciativa foi criada para enfrentar problemas recorrentes no entorno do terminal, a exemplo de:
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Filas duplas na área de embarque e desembarque;
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Restrição de vagas para parada rápida;
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Desorganização no meio-fio do terminal;
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Congestionamentos no acesso ao aeroporto;
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Motoristas parados aguardando passageiros por longos períodos;
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Embarques e desembarques fora das áreas corretas;
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Risco maior de acidentes na circulação de veículos.
A reportagem também esteve na área de cobrança no dia 16 de abril e conversou com motoristas que circulam com frequência pelo aeroporto. De forma geral, eles contestaram o limite de 10 minutos para gratuidade e relataram preocupação com o impacto financeiro que a nova tarifa pode provocar.
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