Pedido de vereadora causa reação de atleta que teve perna amputada em Salvador
Recurso apresentado quer anular a obrigação de custear tratamento
Por: Jaísa de Almeida
15/05/2026 • 15:50
A tentativa da vereadora de Salvador Débora Santana (PSDB) de se retirar da ação que discute o pagamento das despesas médicas do atleta Emerson Silva Pinheiro provocou resposta imediata da defesa do esportista. A parlamentar recorreu ao Tribunal de Justiça da Bahia (TJBA) para suspender a decisão que a inclui, ao lado do filho, Cleydson Cardoso Costa, como responsável pelos custos de reabilitação após o atropelamento ocorrido em agosto de 2025.
O recurso, apresentado por meio de agravo de instrumento, busca derrubar a liminar concedida em primeira instância. A advogada de Emerson, Losangela Passos, informou ao portal Esfera que já protocolou as contrarrazões e aguarda a análise da desembargadora relatora. Para ela, embora o direito ao recurso seja garantido, a medida é contrária às manifestações públicas feitas pela política.
“Só é contraditório ao discurso e atitudes dela, de forma pública, de amparo e acolhimento a Emerson”, diz à reportagem.
Losangela informou ainda que se manifestou no processo antes mesmo de qualquer novo chamamento formal da Justiça, apresentando logo contestação ao recurso.
“Já me antecipei, não aguardei a intimação para apresentar as contrarrazões (defesa) e já apresentei. Neste momento aguarda a apreciação da desembargadora relatora para apreciação do pedido liminar dela para revogar a nossa liminar, o que não esperamos que aconteça”, detalha.
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Procurada sobre o assunto, a assessoria da vereadora confirmou ao portal Esfera a interposição do recurso e declarou que solicitou a retirada do nome dela da ação sob o argumento de que não participou do atropelamento.
“É importante destacar que o filho da vereadora é maior de idade e, portanto, responde individualmente pelos seus atos na esfera judicial, conforme determina a legislação brasileira”, diz.
Segundo a equipe, a vinculação da parlamentar ao caso estaria relacionada à sua condição de agente pública: “As medidas judiciais cabíveis já foram adotadas, e agora o caso seguirá sob análise da Justiça, que irá conduzir os fatos conforme os trâmites legais e o devido processo”, completa.
Processo criminal
Paralelamente à disputa na área cível, o processo criminal também avança. Cleydson Cardoso Costa responde em liberdade provisória, com uso de tornozeleira eletrônica e outras restrições impostas pela Justiça. Os advogados do homem solicitaram a revogação parcial dessas medidas, incluindo autorização para sair à noite e deixar a cidade.
“Cleydson pediu revogação de partes das medidas restritivas, dentre elas para sair à noite e liberação para sair da comarca, está para a manifestação do Ministério Público (MPBA) e depois o Juiz decide”, conta Losangela.
Uma audiência está marcada para a próxima quinta-feira (21), quando serão ouvidas testemunhas e o próprio Emerson, que perdeu a perna direita e sofreu fraturas na esquerda após o atropelamento registrado na Pituba.
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