ALBA homenageia centenário de Mãe Stella de Oxóssi com sessão solene e reedição de livro
Parlamentares destacam contribuição de Mãe Stella para a religião, a cultura e a educação
Por: Iago Bacelar
23/05/2025 • 12:00 • Atualizado
A Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA) celebrou nesta quarta-feira (22) os 100 anos de nascimento de Mãe Stella de Oxóssi, com uma sessão solene que destacou sua trajetória religiosa, intelectual e cultural. A homenagem, conduzida pela presidente da Casa, deputada Ivana Bastos, incluiu o anúncio da reedição do livro “Meu Tempo é Agora”, uma das principais obras da ialorixá.
Durante o evento, Ivana Bastos anunciou a reedição do livro “Meu Tempo é Agora”, de autoria de Mãe Stella. A obra, publicada originalmente pela própria ALBA em 2010, será relançada ainda este ano.
“É um livro necessário, formativo e simbólico. Atendemos a uma solicitação da deputada Fabíola Mansur, que reconhece a importância desse legado”, destacou Ivana Bastos. A presidente da ALBA acrescentou que Mãe Stella superou as fronteiras religiosas e assumiu papel ativo no diálogo com setores como a educação, cultura e serviço público.
Reedição de obra marca compromisso com memória e ancestralidade
O livro “Meu Tempo é Agora” é considerado uma das publicações essenciais para a compreensão dos fundamentos e princípios do Candomblé. A reedição foi confirmada como parte das ações institucionais da ALBA para preservar a produção intelectual da ialorixá.
Ivana Bastos afirmou que a homenageada “deu visibilidade ao Candomblé como religião de princípios, organização, respeito e ancestralidade, sempre com serenidade e compromisso com a verdade”.
Parlamentares destacam trajetória e pioneirismo
A deputada Fabíola Mansur lembrou que Mãe Stella foi autora de mais de dez livros e conquistou reconhecimento em diversas esferas sociais. Ela também foi a primeira ialorixá a integrar a Academia de Letras da Bahia, sendo eleita de forma unânime.
“‘Meu Tempo é Agora’ é um livro revolucionário. Ela era uma diplomata, sabia se posicionar, sem permitir que a política interferisse nos assuntos do Ilê Axé Opô Afonjá”, afirmou Fabíola.
A deputada Olívia Santana reforçou a importância da homenagem como valorização dos terreiros e da cultura de matriz africana. “O tempo não apagou suas pegadas. Mãe Stella está entre as grandes ialorixás do Brasil, como Mãe Senhora, Mãe Aninha e Mãe Menininha”, declarou.
Sessão reuniu representantes de diversas áreas
A solenidade contou com a presença de representantes do governo estadual, do judiciário, de entidades culturais, religiosas e acadêmicas, além de lideranças de diversas tradições.
Entre os presentes estavam Mãe Ana de Xangô, sucessora de Mãe Stella no comando do Ilê Axé Opô Afonjá; a secretária de Promoção da Igualdade Racial, Ângela Guimarães, que representou o governador Jerônimo Rodrigues; e o presidente da Fundação Palmares, João Jorge Santos, representando o Ministério da Cultura.
Mãe Stella e o reconhecimento institucional
A sessão solene destacou o reconhecimento institucional à trajetória de Mãe Stella de Oxóssi, que ocupou papel central na defesa do respeito à ancestralidade e ao direito à liberdade religiosa.
Seu legado inclui a articulação entre a tradição do Candomblé e os espaços formais da educação e da política pública, além de uma vasta produção literária.
O centenário reforça a permanência de sua contribuição para a valorização da cultura afro-brasileira e para o fortalecimento das políticas de igualdade racial no estado e no país.
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