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Relacionamentos refletem machismo estrutural, diz advogada

Renata Deiró aponta cultura, religião e sociedade como fatores de abusos

Por: Domynique Fonseca

19/03/202612:56Atualizado

A advogada Renata Deiró afirmou que relações heterossexuais ainda são fortemente influenciadas pelo machismo estrutural no Brasil. A declaração foi feita durante entrevista ao programa Portal Esfera no Rádio, na 97,5 FM apresentado por Luís Ganem, nesta quinta-feira (19).

Foto Relacionamentos refletem machismo estrutural, diz advogada
Foto: Pedro Henrique/ Portal Esfera

Segundo a especialista, muitas mulheres conseguem identificar situações de abuso, mas enfrentam barreiras sociais para romper com relacionamentos considerados tóxicos.

“Existe uma tendência de responsabilizar a mulher pelo comportamento do parceiro, como se ela tivesse culpa pelas atitudes dele”, explicou.

De acordo com Deiró, fatores como a criação familiar, a cultura e até interpretações religiosas contribuem para a permanência em relações abusivas. Ela destacou que, historicamente, comportamentos violentos foram naturalizados e até romantizados, o que dificulta o reconhecimento do problema.

A advogada também chamou atenção para a ideia equivocada de que ciúme seria uma demonstração de cuidado. Para ela, quando esse sentimento resulta em controle, restrição de liberdade ou sofrimento, deixa de ser saudável e pode indicar abuso.

Outro ponto abordado foi a reprodução de padrões machistas pelas próprias mulheres.

“A sociedade estabelece papéis de comportamento para homens e mulheres, e isso acaba sendo incorporado nos relacionamentos”, afirmou.

Durante a entrevista, Renata avaliou que a maioria das relações heterossexuais apresenta, em algum grau, traços de abusividade, justamente por estarem inseridas em um contexto social marcado por desigualdades de gênero.

A especialista defendeu ainda a necessidade de ampliar o debate sobre violência contra a mulher, inclusive dentro de espaços religiosos. Segundo ela, há um movimento crescente de lideranças que buscam enfrentar o problema, embora interpretações equivocadas ainda contribuam para a manutenção de relações desiguais.

“É fundamental que eles participem desse debate, já que são, em sua maioria, os autores desse tipo de violência”, concluiu.