Mensagem enviada a Moraes horas antes de prisão de Vorcaro é encontrada pela PF
Conteúdo apareceu em celular apreendido na Operação Compliance Zero
Por: Redação
05/03/2026 • 19:28 • Atualizado
A Polícia Federal (PF) encontrou no celular de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, uma troca de mensagens enviada ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, horas antes da primeira prisão do banqueiro na Operação Compliance Zero, realizada em 17 de novembro de 2025. Às 7h19 daquela manhã, o empresário escreveu pelo WhatsApp: “Fiz uma correria aqui para tentar salvar. Alguma novidade? Conseguiu ter notícia ou bloquear?”.
Moraes respondeu logo depois, mas o conteúdo não pôde ser recuperado. De acordo com os investigadores, a resposta ocorreu por meio de três mensagens de visualização única — recurso que apaga o texto após a leitura. O registro da conversa apareceu no aparelho apreendido com o empresário durante as apurações.
Na mesma noite, por volta das 22h, Vorcaro acabou preso no aeroporto internacional de Guarulhos, em São Paulo, quando tentava embarcar em um jato particular com destino a Dubai, com escala em Malta. No celular também apareceu um registro anterior de diálogo entre os dois, datado de 1º de outubro, mas novamente sem conteúdo disponível, já que as mensagens teriam sido apagadas ou enviadas no modo temporário. Investigadores também identificaram ligações telefônicas entre eles.
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Apesar da presença dos registros no material analisado pela PF, o ministro negou ter recebido as mensagens citadas. “O Ministro Alexandre de Moraes não recebeu essas mensagens referidas na matéria. Trata-se de ilação mentirosa no sentido, novamente, de atacar o Supremo Tribunal Federal”, afirmou à coluna de Malu Gaspar, do portal O Globo, por meio de sua assessoria.
Investigação sobre fraudes
Segundo a investigação, quando enviou a mensagem ao ministro, o banqueiro já tinha conhecimento do inquérito que apurava a venda de carteiras de crédito fraudulentas ao Banco de Brasília (BRB). A PF suspeita que ele tenha obtido essas informações ao acessar de forma ilegal sistemas da própria corporação, além de procedimentos do Ministério Público relacionados às fraudes.
Ainda naquele dia, Vorcaro e seus advogados teriam feito movimentos para tentar evitar medidas judiciais. Um pedido foi enviado à Justiça Federal de Brasília contra possíveis cautelares, enquanto o Banco Master anunciou às pressas a venda da instituição ao grupo Fictor por R$ 3 bilhões. A tentativa não avançou: o empresário acabou preso naquela noite e, no dia seguinte, o Banco Central decretou a liquidação do banco durante a primeira fase da operação.
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