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"Golpe do falso advogado virou indústria do crime”, diz presidente da CAAB

Maurício Leahy destaca avanço de fraudes e defende Judiciário mais acessível

Por: Domynique Fonseca

16/04/202618:20

O presidente da Caixa de Assistência dos Advogados da Bahia (CAAB), Maurício Leahy, fez um alerta sobre o crescimento de golpes envolvendo o uso indevido da advocacia e criticou dificuldades de acesso ao Judiciário durante entrevista ao programa Portal Esfera no Rádio, nesta quinta-feira (16), apresentado por Luis Ganem, na 97,5 FM.

Entrevistado
Foto: Lorena Bomfim/ Portal Esfera

Segundo ele, uma das principais preocupações atuais da categoria é o chamado “golpe do falso advogado”, prática que, de acordo com ele, tem se expandido e se tornado cada vez mais sofisticada.

“Se tornou uma indústria do crime essa prática do golpe do falso advogado. Só na semana passada eu sofri três tentativas utilizando o meu nome”, afirmou.

O presidente explicou que criminosos utilizam estratégias variadas para enganar as vítimas, incluindo o uso de documentos falsos e referências a autoridades.

“Eles dizem que promotor vai entrar em contato, que ministro vai falar com o cliente, usam timbres e até citam tribunais superiores. É algo muito elaborado”, disse.

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Cautela da população

Diante disso, ele orienta cautela por parte da população: “É importante que ninguém faça transferências de valores de forma precipitada. Não é prática da advocacia pedir depósitos para liberação de recursos."

Leahy também destacou que a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-BA), tanto em nível nacional quanto na Bahia, tem atuado para combater esse tipo de crime.

Além da questão dos golpes, o presidente abordou desafios estruturais do sistema de Justiça. Para ele, há um distanciamento crescente entre o Judiciário e a população, especialmente nos juizados especiais.

“O que a gente tem visto é um afastamento entre o Judiciário e o cidadão. O acesso está cada vez mais difícil, com processos demorados e pouca atenção às prerrogativas da advocacia”, avaliou.

Ele defendeu maior integração entre os atores do sistema judicial para melhorar o atendimento à sociedade.

“A advocacia não é concorrente do Judiciário, nós somos parte desse sistema. É preciso haver um encontro entre Judiciário, Ministério Público, Defensoria e advocacia para garantir um serviço mais eficiente”, completou.