Fraude tenta gerar mandados de prisão contra Lula e Moraes no CNJ
Conselho afirma que não houve invasão e atribui caso a uso indevido de credenciais
Por: Redação
23/01/2026 • 09:23 • Atualizado
Uma nova tentativa de manipulação de dados foi identificada no sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Na última terça-feira (20), registros foram alterados de forma irregular com o objetivo de simular a expedição de mandados de prisão contra o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes. A ocorrência foi confirmada pelo órgão nesta quinta-feira (22).
Segundo o CNJ, os mandados não chegaram a ser efetivamente emitidos. O que houve foi a substituição indevida de informações vinculadas a um mandado judicial por dados associados a autoridades públicas, sem que o procedimento fosse concluído dentro do sistema.
O Conselho negou qualquer tipo de invasão ou falha estrutural em suas plataformas e afirmou que o episódio decorreu do uso fraudulento de credenciais, como login e senha pertencentes a usuários de tribunais, obtidas de forma ilícita. De acordo com o órgão, os sistemas não foram violados nem comprometidos.
Em nota oficial, o CNJ informou que a inconsistência foi rapidamente identificada, tratada e corrigida, sem gerar efeitos práticos. O órgão reforçou que não houve expedição de mandados contra as autoridades mencionadas.
A Presidência da República e o Supremo Tribunal Federal foram procurados, mas não se manifestaram até a última atualização.
O método utilizado na tentativa de fraude é semelhante ao que resultou, em dezembro do ano passado, na emissão de alvarás de soltura falsificados que permitiram a liberação irregular de quatro detentos do Ceresp Gameleira, em Belo Horizonte. Na ocasião, o CNJ também descartou invasão ao sistema e apontou o uso indevido de credenciais como causa do problema.
Investigação e esquema criminoso
No dia 14 deste mês, a Polícia Civil de Minas Gerais prendeu, no Rio de Janeiro, o apontado líder de uma organização criminosa especializada em acessar ilegalmente sistemas do Judiciário. O grupo é investigado por uma série de fraudes, incluindo a emissão de alvarás de soltura, alterações em mandados de prisão, desbloqueio de valores retidos judicialmente e liberação de veículos apreendidos.
Entre os presos está Ricardo Lopes de Araújo, um dos detentos que deixaram o presídio em Belo Horizonte após a fraude, além de Matheus Filipe do Nascimento Silva, identificado como responsável pela etapa final do esquema, voltada à lavagem de dinheiro.
As investigações indicam que os criminosos utilizavam credenciais de magistrados para acessar o Banco Nacional de Medidas Penais e Prisões (BNMP), mantido pelo CNJ. Até o momento, não há confirmação de que o grupo preso tenha ligação direta com a tentativa mais recente de manipulação envolvendo o presidente e o ministro do STF.
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