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Araras-canindés voltam a colorir a Floresta da Tijuca em reintrodução histórica

Projeto ambiental devolve aves à mata atlântica no Rio após meses de preparação

Por: Redação

22/01/202610:34

Um trabalho científico cuidadoso ganhou forma no Rio de Janeiro, onde pesquisadores deram início a um processo simbólico e aguardado, a reintrodução das araras-canindés na Floresta da Tijuca. Depois de meses de adaptação em um viveiro instalado dentro da mata, as aves finalmente tiveram o caminho aberto para o voo livre.

Foto Araras-canindés voltam a colorir a Floresta da Tijuca em reintrodução histórica
Foto: Reprodução / TV Globo

Logo no início de 2026, a cena já entrou para a lista de momentos marcantes do ano. A expectativa era visível entre os integrantes da equipe, que acompanhavam cada detalhe da soltura com atenção redobrada.

“Não dormi bem à noite, fiquei só esperando esse momento. Foram muitos meses de preparação”, relatou Matheus Sette Câmara, biólogo do Projeto Refauna, enquanto observava a movimentação no viveiro.

Preparação cuidadosa antes do voo livre

Antes da abertura definitiva do recinto, as araras passaram por um ritual essencial. A alimentação foi monitorada e adaptada à realidade da floresta, garantindo que estivessem aptas a se manter sozinhas no novo ambiente.

“Para voar, elas precisam estar bem condicionadas. A gente faz uma transição alimentar, oferecendo os frutos que vão encontrar aqui na mata”, explicou Joana Macedo, diretora do Refauna.

Trazidas do interior de São Paulo em junho do ano passado, as quatro araras-canindés chegaram ao Parque Nacional da Tijuca para um processo que durou cerca de sete meses. A iniciativa, acompanhada de perto pela imprensa, marcou um capítulo importante para a conservação da espécie.

Um projeto que mira o futuro da biodiversidade

A ação integra o Projeto Refauna, desenvolvido com apoio do ICMBio e de outras instituições ambientais. A primeira a alçar voo foi “Fernanda”, rápida e decidida. Horas depois, “Suelli” saiu com cautela, sempre atenta ao alimento. Já “Fátima” preferiu esperar três dias até se lançar de vez na floresta.

Por se tratar de um momento sensível, o acesso ao local foi restrito para evitar estresse nos animais. Mesmo após a soltura, o acompanhamento continua intenso. Ainda neste primeiro semestre, outras seis araras devem passar pelo mesmo processo de ambientação e liberdade. A meta, em cinco anos, é ter pelo menos 50 aves vivendo soltas na região.

“A cidade do Rio abriga dois dos maiores parques urbanos do mundo. Proteger essas espécies é um compromisso coletivo para garantir a continuidade do projeto”, destacou Mariana Egler, analista ambiental do ICMBio.

Depois de ganhar o céu, “Fernanda” voltou a sobrevoar os pesquisadores, arrancando emoção silenciosa da equipe. “É muito impactante ver esse animal totalmente livre, voando dentro da floresta”, afirmou Luísa Genes, diretora científica do Refauna.

Identificadas com anilhas e colares, as araras já chamam atenção também fora da mata. Nas redes sociais, cariocas celebram o novo colorido que promete tomar conta da cidade.

“Imagina elas passando, gritando perto do Cristo. Vai ser um espetáculo de cor e som, algo lindo demais”, resumiu Joana, emocionada.