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Banco Master vira eixo de briga judicial entre sócios do Digimais

Crise envolve cobrança de cerca de R$ 463 milhões

Por: Redação

16/02/202620:37Atualizado

A crise do Banco Master tornou-se o principal ponto de uma disputa judicial que envolvendo o Banco Digimais e um dos sócios do fundo de investimento em direitos creditórios (FIDC) EXP 1. Segundo informações publicadas pela Folha de S.Paulo, o empresário Roberto Campos Marinho Filho cobra da instituição financeira a recompra de uma carteira avaliada em R$ 462,2 milhões, sob a alegação de falta de lastro em papéis ligados ao Master e a operações originadas por empresas relacionadas.

Foto Banco Master vira eixo de briga judicial entre sócios do Digimais
Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

O Banco Master concentra a maior parte dos créditos questionados. De acordo com a notificação enviada pela gestora Yards Capital, responsável pela administração do fundo e pertencente a Marinho Filho, os títulos associados ao banco somam R$ 316,6 milhões, enquanto o restante envolve operações vinculadas à Fictor e à empresa de investimentos Reag.

O fundo EXP 1 foi estruturado em fevereiro de 2025 com cerca de R$ 720 milhões. A participação do Digimais, que detém 80% das cotas, foi integralizada por meio da cessão de Cédulas de Crédito Bancário (CCBs) relacionadas a empréstimos consignados originados por Master, Fictor e Reag. Pelo contrato, os valores pagos pelos tomadores desses créditos seriam destinados ao fundo.

A crise teve início após a liquidação do Master e da Reag pelo Banco Central, em meio a investigações sobre fraudes financeiras. O cenário se agravou quando a Fictor, que havia anunciado a aquisição do Master, entrou em recuperação judicial com dívidas bilionárias, o que afetou diretamente o valor dos ativos que lastreavam o fundo.

Na notificação, a Yards afirma que auditoria identificou mais de 22 mil CCBs sem documentação suficiente para comprovar a existência dos créditos, situação que, no mercado financeiro, caracteriza ausência de lastro. O gestor sustenta que o contrato prevê a recompra dos papéis nessas condições e afirma que poderá adotar novas medidas judiciais caso não haja acordo.

O Digimais contesta a cobrança e nega ter coobrigação sobre os créditos. Segundo o banco, a responsabilidade por eventuais inconsistências é das instituições que originaram as operações. Em nota, a instituição informou que já repassou mais de R$ 88 milhões ao fundo desde a sua criação e que os pagamentos foram comprovados nos processos em andamento.

A instituição também acusa o sócio de reter valores recebidos e de não prestar informações sobre a política de investimentos do fundo desde novembro de 2025. Diante do impasse, os repasses passaram a ser realizados por meio de depósitos judiciais.

 

Próximos passos

 

A disputa ocorre às vésperas da data prevista para a amortização das cotas do EXP 1, marcada para 28 de fevereiro,  etapa que converteria o patrimônio do fundo em recursos para os cotistas. Ainda não há definição sobre a capacidade financeira do fundo para cumprir a operação, já que parte dos valores está bloqueada por decisões judiciais em favor de credores.

Em meio ao conflito, o Digimais passa por processo de reestruturação e contratou o ex-presidente do Banco do Brasil Aldemir Bendine para comandar a instituição. Procurado, Roberto Campos Marinho Filho informou que sua posição está registrada nos autos do processo.