Banco Master entrou em crise de caixa e apostou no FGC, diz Vorcaro à PF
Empresário afirmou que mudanças nas regras agravaram a situação
Por: Redação
23/01/2026 • 15:22 • Atualizado
A Polícia Federal (PF) colheu, no fim de 2025, um depoimento em que o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, admitiu que a instituição atravessava um cenário de aperto financeiro. Segundo a transcrição, ele afirmou que havia uma crise instalada e uma forte pressão de liquidez, em um contexto que, de acordo com o empresário, foi agravado por mudanças regulatórias e por conta do mercado financeiro.
Vorcaro declarou à PF que o plano de negócios do banco era “100% baseado no Fundo Garantidor de Créditos (FGC) ” e sustentou que não havia problema nisso enquanto as regras permaneciam as mesmas. Segundo o g1, no relato, ele disse que a situação mudou quando o banco começou a crescer e passou a enfrentar alterações nas normas, o que teria afetado diretamente a operação.
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Ainda conforme o depoimento, a cessão de ativos se tornou a principal forma de captação do Master até o anúncio de venda da instituição para o Banco Regional de Brasília (BRB), associação pública do Distrito Federal. Após essa comunicação, segundo Vorcaro, as fontes de recursos teriam sido fechadas, aprofundado o aperto no caixa.
Modelo de crédito
No depoimento, Vorcaro afirmou que o banco chegou a originar entre R$400 milhões e R$500 milhões por mês, mas precisou reduzir o ritmo para preservar a liquidez. Um dos motivos citados foi uma comunicação feita pelo Banco Central em novembro de 2024, que levou o Master a elaborar um plano de ação.
Para alcançar esses volumes, ele disse à PF que o modelo do banco passou a depender mais da cessão de ativos e suporte do FGC, com foco no consignado, emissão de célular de crédito bancário (CCBs) e uso de originadores terceirizados para ampliar as operações.
Vorcaro também afirmou ter investido quase R$6 bilhões de recursos próprios para sustentar o banco durante a crise. Paralelamente, desde o dia 19, o Fundo Garantidor de Créditos começou a ressarcir correntistas e investidores do Master em até R$250 mil por Cadastro de Pessoa Física (CPF) ou Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), com cerca de 600 mil pedidos registrados.
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