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William Waack aponta divisão interna no STF e alerta para crise de credibilidade

Jornalista avalia que o Supremo vive um momento de conflito interno exposto ao público

Por: Redação

05/02/202616:00

Em editorial publicado na CNN nesta quarta-feira (4), o jornalista William Waack avalia que o Supremo Tribunal Federal vive um momento de conflito interno exposto ao público, em meio à crise desencadeada pelo escândalo envolvendo o caso do Banco Master.

Foto William Waack aponta divisão interna no STF e alerta para crise de credibilidade
Foto: Fellipe Sampaio / STF

Segundo Waack, a tensão ficou evidente poucos dias após o presidente do STF, ministro Edson Fachin, anunciar a elaboração de um Código de Conduta para a Corte e pedir maior autocontenção no comportamento de seus integrantes. A iniciativa, no entanto, foi publicamente rebatida por dois ministros diretamente envolvidos no centro das críticas recentes.

Ainda de acordo com o jornalista, os ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes reagiram ao discurso do presidente da Corte ao afirmar que não há necessidade de um novo código, argumentando que os magistrados já estão entre as autoridades mais fiscalizadas do país. Ambos também reiteraram a posição de que parte das críticas dirigidas ao Supremo seria fruto de ignorância ou má-fé, especialmente por parte da imprensa.

Waack destaca que, no discurso de abertura do ano do Judiciário, Fachin fez referência indireta à crise ao afirmar que os ministros são responsáveis por suas próprias escolhas — uma fala interpretada como reconhecimento do impacto público do caso Master. Já em sessão plenária realizada nesta quarta-feira, Moraes e Toffoli sustentaram que jamais julgaram processos em que houvesse conflito de interesses.

Para o colunista, o embate evidencia uma “fissura” que ganhou contornos de fratura aberta dentro do STF, com motivações essencialmente políticas. Enquanto o presidente da Corte demonstraria preocupação com a percepção pública do papel do tribunal e de seus membros, parte dos ministros rejeita a ideia de que haja qualquer problema institucional a ser enfrentado.

Na avaliação de William Waack, o principal risco desse confronto é a perda de credibilidade do Supremo Tribunal Federal, um problema que, segundo ele, a própria Corte ainda não conseguiu resolver.