PSDB avalia lançar Aécio à presidência após desgaste de Flávio Bolsonaro
Movimento ganhou força após crise envolvendo áudios com dono do Banco Master
Por: Redação
20/05/2026 • 13:56 • Atualizado
O PSDB passou a discutir oficialmente o lançamento da pré-candidatura de Aécio Neves à Presidência da República após o desgaste enfrentado por Flávio Bolsonaro nos últimos dias. A movimentação ocorre depois da divulgação de conversas entre o senador do PL e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, nas quais Flávio cobrava recursos para um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. As informações são da Folha de S.Paulo.
Segundo a publicação, o nome de Aécio ganhou força dentro da federação PSDB-Cidadania diante do chamado “derretimento” da pré-candidatura de Flávio Bolsonaro nas pesquisas internas e trackings eleitorais. A avaliação de lideranças tucanas é de que existe espaço para uma candidatura de centro-direita que dialogue com eleitores insatisfeitos tanto com o PT quanto com o bolsonarismo.
Reunião discutiu candidatura de Aécio
A possível entrada de Aécio na disputa presidencial foi debatida nesta terça-feira (19) em uma reunião envolvendo dirigentes do PSDB, além do presidente do Solidariedade, Paulinho da Força, e do presidente do Cidadania, Alex Manente.
De acordo com aliados, a estratégia inicial seria lançar o nome do deputado federal para medir a reação do eleitorado até as convenções partidárias de julho.
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Ex-presidente do Cidadania, Roberto Freire afirmou que defenderá oficialmente a pré-candidatura do tucano em reunião da federação marcada para a próxima semana.
“Não podemos nos omitir neste quadro que está aqui”, declarou Freire à Folha. “Não podemos deixar o lulopetismo continuar governando o nosso país, e nem voltar à mediocridade plena que é o bolsonarismo.”
Nas redes sociais, Freire voltou a defender uma alternativa política ao atual cenário polarizado. “Não aceitaremos que o futuro seja definitivamente sequestrado pelo medo, pelo ódio ou pelo atraso”, escreveu.
Flávio Bolsonaro virou preocupação dentro da direita
O avanço da articulação tucana acontece em meio à repercussão envolvendo Banco Master e Daniel Vorcaro. Recentemente, Flávio Bolsonaro admitiu ter participado de negociações relacionadas ao financiamento do filme “Dark Horse”, cinebiografia de Jair Bolsonaro.
Reportagens revelaram que Vorcaro teria repassado cerca de R$ 61 milhões ao projeto antes de ser preso pela Polícia Federal.
Após a crise, lideranças políticas passaram a demonstrar preocupação com possíveis novos desgastes envolvendo o senador do PL. Segundo interlocutores, isso abriu espaço para o PSDB tentar reconstruir protagonismo nacional.
Paulinho da Força confirmou que o tema dominou parte das conversas entre dirigentes partidários.
“Conversamos um pouco sobre isso. Acho que, com esse derretimento do Flávio, vai sobrar um povo que não quer votar no PT e que não tem alternativa”, afirmou.
Ainda segundo aliados, Aécio tentaria ocupar um espaço mais moderado, fazendo críticas simultâneas ao governo Luiz Inácio Lula da Silva e ao grupo bolsonarista.
PSDB tenta reconstruir espaço político
Internamente, integrantes do PSDB avaliam que uma candidatura presidencial também poderia servir para reposicionar publicamente Aécio após os desgastes provocados pela Operação Lava Jato.
O ex-governador de Minas Gerais foi alvo de investigações que marcaram a crise do partido nos últimos anos, incluindo a denúncia envolvendo o empresário Joesley Batista. Na ocasião, uma gravação mostrou Aécio pedindo R$ 2 milhões ao empresário.
A denúncia acabou rejeitada pela Justiça por falta de provas que relacionassem o pedido a atos de corrupção.
Aliados do tucano afirmam que a eventual candidatura presidencial poderia ser usada para reforçar o discurso de que ele foi inocentado das acusações.
Até o momento, Aécio Neves não comentou publicamente a articulação. Antes disso, o nome dele vinha sendo cogitado apenas para disputa ao Senado ou para buscar a reeleição à Câmara dos Deputados.
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