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Dono de Banco liquidado tem laços com ACM Neto e Rui Costa

Histórico de Guga Lima conecta PT e União Brasil após intervenção do BC

Por: Redação

19/02/202610:15Atualizado

A trajetória do banqueiro baiano Augusto Ferreira Lima, conhecido como Guga Lima, volta ao centro do debate após a decretação da liquidação extrajudicial do Banco Pleno pelo Banco Central do Brasil, nesta quarta-feira (18). Além da atuação no sistema financeiro, o empresário mantém uma relação direta com políticos baianos de diferentes espectros, o que amplia a repercussão do caso.

Foto Dono de Banco liquidado tem laços com ACM Neto e Rui Costa
Foto: Reprodução

A ligação mais conhecida se deu com o Partido dos Trabalhadores, durante o governo de Rui Costa, hoje ministro-chefe da Casa Civil. Em 2018, Guga Lima venceu a licitação de venda da Empresa Baiana de Alimentos e lançou o CredCesta, cartão de crédito consignado com juros abaixo do mercado voltado principalmente a servidores públicos. O modelo ganhou força, foi replicado em outros estados e se tornou um dos ativos mais valiosos levados posteriormente ao Banco Master.

Foi a partir desse movimento que o banqueiro passou a se associar a Daniel Vorcaro, ingressando em 2020 no Master. A sociedade terminou em maio de 2024 e, cerca de um ano depois, Guga Lima assumiu o controle do Banco Voiter, instituição que, após aprovação do BC em junho de 2025, passou a se chamar Banco Pleno.

As conexões políticas, no entanto, não ficaram restritas ao campo petista. O empresário também circula entre nomes da direita baiana, mantendo relação com ACM Neto, além do presidente do Partido Liberal na Bahia, João Roma. Guga é casado com Flávia Arruda, ex-ministra do governo Jair Bolsonaro, o que reforça seu trânsito entre diferentes grupos políticos.

No campo judicial, tanto Guga Lima quanto Vorcaro chegaram a ser presos pela Polícia Federal em novembro do ano passado, durante a Operação Compliance Zero, que apura irregularidades no sistema financeiro com foco na atuação do Banco Master. As prisões preventivas foram revogadas pelo Tribunal Regional Federal menos de duas semanas depois.

Ao anunciar a liquidação do Banco Pleno, o Banco Central afirmou que a medida foi motivada pelo comprometimento da situação econômico-financeira, deterioração da liquidez e descumprimento de normas regulatórias. Segundo a autarquia, o conglomerado é de pequeno porte, concentrando 0,04% do ativo total e 0,05% das captações do Sistema Financeiro Nacional.

O BC informou ainda que seguirá apurando responsabilidades e que o resultado pode gerar sanções administrativas e comunicações a outras autoridades. Conforme prevê a legislação, os bens dos controladores e administradores da instituição ficaram indisponíveis.