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“Furto de fios é o que tira meu sono”, diz diretor de iluminação

Ângelo Magalhães defende mais tecnologia e apoio da segurança

Por: Domynique Fonseca

03/03/202616:00Atualizado

O avanço da modernização da iluminação pública em Salvador esbarra em um problema recorrente: o furto de cabos e o vandalismo. Em entrevista nesta terça-feira (3) ao programa Portal Esfera no Rádio, na 97,5 FM, o diretor de Serviços de Iluminação da Secretaria Municipal de Ordem Pública (Semop), Ângelo Magalhães Neto, afirmou que somente em 2025 o prejuízo já se aproxima de R$ 4,5 milhões.

Foto “Furto de fios é o que tira meu sono”, diz diretor de iluminação
Foto: Pedro Henrique/ Portal Esfera

De acordo com o gestor, os crimes obrigaram o município a repor mais de 50 quilômetros de cabos, além de substituir luminárias danificadas em diferentes pontos da cidade. Ele ressaltou que os valores gastos poderiam estar sendo direcionados à ampliação tecnológica do sistema.

Entre as áreas mais afetadas estão bairros da orla e regiões próximas a grandes equipamentos públicos. Em Stella Maris, por exemplo, luminárias específicas instaladas para preservar áreas de desova de tartarugas foram alvo de furtos. Já na Rua Luiz Eduardo Magalhães, em Itapuã, a reposição de equipamentos precisou ser realizada diversas vezes ao longo do último ano. O entorno do Dique do Tororó também registra ocorrências frequentes, especialmente após eventos na Arena Fonte Nova.

“É o que tira meu sono. A gente poderia estar empregando esses recursos em novas tecnologias, mas precisa usar para repor cabos e luminárias furtadas”, declarou.

O diretor relatou ainda casos de vandalismo em áreas centrais durante o Carnaval, inclusive em vias próximas ao circuito oficial. Segundo ele, há registros de pessoas escalando postes para retirar equipamentos, mesmo em locais com grande circulação de público.

“Postes de 14 metros de altura, a pessoa sobe como se fosse um coqueiro para retirar a luminária. Eles se reinventam, e a gente precisa se reinventar também”, afirmou.

Insegurança em bairros

Além do prejuízo financeiro, os furtos afetam o tempo de resposta às solicitações feitas pela população. Ângelo explicou que, em alguns bairros, as equipes enfrentam restrições de acesso e precisam de articulação prévia para garantir segurança durante os serviços.

“A gente realmente tem dificuldades de entrar em determinados locais. Por isso, o prazo de resolutividade aumenta. Mas, com diálogo e apoio das lideranças, normalmente conseguimos garantir segurança para executar o serviço”, disse.

Ele destacou que a pasta mantém diálogo com a Secretaria da Segurança Pública da Bahia e com a Guarda Civil Municipal para tentar conter os crimes. O secretário Marcelo Werner foi citado como parceiro nas tratativas. Ainda assim, segundo o diretor, a reincidência é um obstáculo.

Salvador conta atualmente com mais de 220 mil pontos de iluminação e teve todo o parque convertido para LED nos últimos anos. A próxima etapa, segundo Ângelo, seria ampliar o uso da telegestão, sistema que permite monitorar e regular a intensidade das luminárias à distância, aumentando a eficiência energética.

"Quando a luminária pode ser dimerizada, a gente economiza mais energia e ganha eficiência. Mas o recurso que poderia ir para isso está sendo usado para repor o que foi furtado”, concluiu.