Crítica de vereadora expõe tensão sobre gestão em Salvador
Caso na Paralela pressiona Secis e amplia desgaste interno na base
Por: Marcos Flávio Nascimento
21/04/2026 • 14:16 • Atualizado
O registro de um cavalo solto na Avenida Paralela, uma das principais vias de Salvador, reacendeu o debate sobre a política de proteção animal na capital e trouxe à tona sinais de tensão dentro da base política da gestão do prefeito Bruno Reis.
O episódio ocorre poucos dias após a morte de outro animal na mesma avenida, após atropelamento, e voltou a expor falhas no controle e no resgate de animais de grande porte em áreas urbanas.
A vereadora Marcelle Moraes, que já comandou a Secretaria de Sustentabilidade, Resiliência e Bem-estar e Proteção Animal (Secis), fez críticas públicas à condução da área. Em publicação nas redes sociais, ela questionou a ausência de respostas efetivas diante de casos recorrentes e alertou para o risco de tragédias.
Reprodução / Instagram @marcellecmoraes
Pressão sobre a SECIS
As críticas recaem sobre a Secretaria de Sustentabilidade, Inovação e Resiliência (Secis), comandada por Ivan Euler.
Nos bastidores, interlocutores apontam que a repetição de episódios envolvendo animais soltos, somada a questionamentos sobre a condução de políticas públicas e gestão de insumos, tem ampliado a pressão sobre a pasta.
Relatos que circulam no meio político citam, por exemplo, problemas na administração de vacinas, perdidas por validade, e outros recursos como ração de cães e gatos, o que contribui para o ambiente de desgaste.
Quem são os envolvidos
Ivan Euler integra a estrutura da gestão municipal há muitos anos e é ligado ao grupo político do ex-prefeito ACM Neto, sendo apontado como indicação de Rosário Magalhães.
Já Marcelle Moraes construiu sua trajetória com foco na causa animal, tendo ocupado a secretaria responsável pela área e mantendo atuação frequente em temas relacionados ao bem-estar animal.
Gestão municipal sob cobrança
O caso também amplia a cobrança sobre o prefeito Bruno Reis, diante da recorrência de episódios semelhantes em uma das principais avenidas da cidade.
O que diz a SECIS
Em nota, a Secis informou que, ao tomar conhecimento do caso na Paralela, equipes responsáveis pelo manejo de animais de grande porte foram acionadas, mas o cavalo já não estava no local no momento da chegada, o que impediu a captura imediata.
A pasta afirmou que mantém serviço contínuo de recolhimento de animais soltos em vias públicas, com atuação integrada a outros órgãos e prioridade para áreas de maior fluxo.
Sobre as críticas, a secretaria negou omissão e disse que o problema envolve também a responsabilidade dos tutores, que têm obrigação legal de manter os animais em local seguro. Segundo a Secis, há aplicação de sanções em casos irregulares.
A secretaria acrescentou ainda que tem intensificado ações de fiscalização, além de estudar medidas para ampliar a capacidade operacional e aprimorar as políticas públicas voltadas ao controle de animais de grande porte.
