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Windson Silva revisita história do Cheiro de Amor e bastidores do Carnaval

Empresário falou sobre parcerias, decisões difíceis e aprendizados no Portal Esfera no Rádio

Por: Domynique Fonseca

10/02/202612:52Atualizado

Mais do que números e sucessos, a trajetória de Windson Silva no Carnaval de Salvador é marcada por relações humanas, escolhas difíceis e bastidores que ajudaram a moldar a música baiana. Esse foi o tema da entrevista concedida pelo empresário artístico ao programa Portal Esfera no Rádio, da 97,5 FM, apresentado por Luis Ganem, nesta terça-feira (10).

Foto Windson Silva revisita história do Cheiro de Amor e bastidores do Carnaval
Foto: Pedro Henrique/ Portal Esfera

Sócio-fundador do Cheiro de Amor, Windson acumula mais de 45 anos de atuação direta na folia, período em que a banda lançou 26 discos e quatro DVDs. Ao longo da conversa, ele relembrou momentos decisivos da carreira e destacou o apoio de nomes fundamentais do mercado musical, como o produtor Manolo Pousada.

“Manolo, pra mim, foi a maior pessoa que conseguiu fazer sucesso na música baiana. Ele tinha o melhor ouvido para identificar o que era sucesso”, afirmou. Segundo Windson, o produtor teve papel essencial em um dos momentos mais delicados da banda, após a saída da cantora Márcia Freire, em 1996.

“Tô perdido. Foi em abril e eu precisava preparar um CD que normalmente estaria pronto só em agosto. Eu não sabia o que fazer”, relatou. De acordo com ele, Manolo se colocou à disposição para ajudar na seleção do repertório. “Eu ia para a casa dele e mostrava as músicas", contou.

Desse processo nasceu o álbum que marcou uma virada na história do Cheiro de Amor, com músicas como Vai Sacudir, Vai Abalar. “Essa música mudou a história do Cheiro de Amor”, disse Windson. Ele também relembrou o impacto de Maria Joaquina, sucesso da Pimenta Nativa. “Eu só percebi a explosão da música no meio da rua, no Carnaval de 97”, afirmou.

Além do Cheiro de Amor, Windson esteve à frente de blocos como A Barca, Pinel e Yes, e construiu parcerias com artistas e grupos como Harmonia do Samba e Olodum. Na entrevista, ele também fez uma reflexão sobre liderança, resiliência e autocrítica ao longo da carreira.

“Eu sei que, em determinados momentos, fui duro com artistas e cantoras. Fui duro porque a vida exigia decisões difíceis”, reconheceu. Com o distanciamento do tempo, ele avalia que faria ajustes. “Talvez eu não fosse tão duro para não perder artistas. Hoje estou mais comedido”, disse.

Apesar disso, Windson afirmou que não renega o caminho trilhado.

“Não é fácil ser líder de mercado. Você contraria interesses, perde amizades. Mas eu faria tudo de novo, só que de uma forma mais tranquila, com a experiência que tenho hoje”, concluiu.