“Sem os blocos, a música baiana vai sofrer”, alerta empresário artístico
Windson relembra ainda a fase de sucesso do Cheiro de Amor
Por: Domynique Fonseca
10/02/2026 • 16:00
A necessidade de revitalizar os blocos de Carnaval e a importância dessas estruturas para a formação e projeção de novos artistas foram alguns dos temas abordados pelo empresário artístico Windson Silva em entrevista ao programa Portal Esfera no Rádio, da 97,5 FM, apresentado por Luis Ganem, nesta terça-feira (10).
Segundo Windson, apesar de não enxergar ameaças diretas ao Carnaval de Salvador, ele avalia que o enfraquecimento dos blocos traz consequências para a música baiana. Para ele, a redução do número de blocos impacta diretamente a renovação artística.
“Eu não vejo uma questão ameaçadora, mas vejo muitas opções de coisas que podem ser feitas para melhorar o Carnaval. Na medida em que se enfraqueceram os blocos, a gente deixou de renovar artistas e de projetar novos nomes. Já estamos sofrendo hoje e vamos sofrer mais adiante”, disse.
O empresário destacou que os blocos sempre funcionaram como vitrines para artistas locais, oferecendo espaço nos trios elétricos, festas e eventos ao longo do ano. Ele citou como exemplo projetos criados para impulsionar carreiras, como o Summer Time, voltado à divulgação de novos talentos.
“Rodou por seis anos. Era um projeto para projetar os artistas”, explicou.
Windson também lamentou a redução de opções tradicionais do Carnaval, como o circuito do Campo Grande, e a concentração de grandes investimentos em poucos blocos. “Hoje a quantidade de blocos é muito restrita. Ficou uma coisa limitada. Dois ou três blocos grandes concentram tudo”, avaliou. Ainda assim, ele acredita na possibilidade de mudanças. “Vamos revitalizar os blocos. Isso é um projeto de médio e longo prazo, mas tem como fazer”, afirmou.
Fase de maior projeção do Cheiro de Amor
Durante a conversa, o empresário também relembrou um dos períodos mais marcantes e rentáveis da história do Cheiro de Amor, com a chegada da cantora Carla Visi. Segundo ele, o momento coincidiu com a transição do mercado fonográfico e a aposta em novos formatos.
“Foi quando lançamos o primeiro CD, aquele que tinha ‘Vai Sacudir’”, contou.
Windson revelou que, inicialmente, houve resistência da gravadora Universal, mas o sucesso da banda no Carnaval mudou o cenário. “No meio do Carnaval, eles me chamaram no hotel e disseram que queriam gravar um disco ao vivo, com todo o repertório do Cheiro”, relatou. O projeto reuniu sucessos anteriores e consolidou a banda em um novo patamar. “Ali tivemos o maior cachê da Bahia naquela época”, afirmou.
O empresário também destacou a intensa agenda de shows vivida naquele período, chegando a mais de 20 apresentações.
“Chegou um momento em que a Carla disse que não conseguia gravar com tantos shows. A gente reduziu para 16, e ela tinha razão”, concluiu.
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