Crise em banco digital provoca renúncia do presidente do Banco Central do Paraguai
Problemas financeiros na instituição geram investigações, preocupação entre correntistas e pressão sobre o governo paraguaio
Por: Fernando Ramos
04/11/2026 • 14:30
A crise envolvendo o banco digital Ueno provocou a renúncia do presidente do Banco Central do Paraguai, Carlos Carvallo, nesta terça-feira (3). A instituição financeira enfrenta dificuldades após uma revisão de seus balanços revelar que o índice de solvência caiu para menos da metade do mínimo exigido pelas regras do país.
Com aproximadamente 3 milhões de clientes, o Ueno é o maior emissor de cartões de crédito do Paraguai e está sob investigação por possíveis irregularidades financeiras. O Ministério Público solicitou a abertura de uma investigação criminal e determinou a prisão de oito pessoas ligadas à instituição. O Banco Central também iniciou medidas para proteger os depositantes e avaliar os ativos do banco.
O episódio aumentou a pressão sobre o presidente Santiago Peña, que já teve participação no grupo controlador da instituição até março de 2025. Diante da crise, o governo anunciou um acordo com lideranças do Congresso para acelerar a votação de uma proposta que permite utilizar o Fundo de Garantia para assegurar o pagamento aos clientes. Na terça-feira, correntistas encontraram agências fechadas e cobraram acesso ao próprio dinheiro.
Carvallo afirmou que sua saída busca reduzir a pressão política sobre o Banco Central e permitir que as investigações avancem. Apesar da repercussão, Peña e a autoridade monetária sustentam que o problema está restrito ao Ueno e não representa uma ameaça ao sistema financeiro paraguaio. A crise, porém, já provocou impactos no mercado e levantou preocupações sobre a confiança de investidores estrangeiros no país.
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