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Operação investiga fraude milionária no mercado de combustíveis

Grupo é suspeito de usar empresas de fachada e fintechs para ocultar dinheiro

Por: Redação

28/05/202608:28Atualizado

Uma operação realizada na manhã desta quinta-feira (28) colocou novamente sob investigação um suposto esquema de fraudes fiscais e lavagem de dinheiro ligado ao setor de combustíveis. Batizada de Fluxo Oculto, a ação é desdobramento da Operação Carbono Oculto e apura a atuação de grupos suspeitos de adulterar combustíveis e movimentar recursos por meio de estruturas financeiras paralelas.

Foto Operação investiga fraude milionária no mercado de combustíveis
Foto: Divulgação/Receita Federal

As investigações são conduzidas pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de São Paulo, em conjunto com a Receita Federal, a Agência Nacional do Petróleo (ANP), a Secretaria da Fazenda paulista e a Procuradoria-Geral do Estado. Policiais civis e militares também participam da força-tarefa.

De acordo com os órgãos responsáveis pela investigação, o esquema teria utilizado empresas fictícias e instituições financeiras digitais para esconder a origem do dinheiro obtido com as fraudes. Os investigadores apontam ainda possível envolvimento do PCC (Primeiro Comando da Capital) na estrutura criminosa.

Divulgação/Receita Federal

Divulgação/Receita Federal


Nesta nova etapa da operação, as autoridades concentram esforços no rastreamento do desvio de nafta petroquímica, substância derivada do petróleo normalmente empregada na produção industrial de plásticos, solventes e produtos químicos.

Segundo as apurações, cargas de nafta adquiridas oficialmente para uso industrial eram desviadas para bases de armazenamento de combustíveis na Grande São Paulo. A suspeita é de que o produto fosse misturado irregularmente à gasolina antes da distribuição para postos revendedores.

Além da adulteração do combustível, os investigadores afirmam que o grupo também teria se beneficiado de brechas tributárias envolvendo a comercialização da nafta, cujo regime fiscal difere do aplicado à gasolina. A Receita Federal calcula que o prejuízo causado aos cofres públicos possa chegar a R$ 200 milhões em impostos supostamente sonegados em um período de dois anos.

Divulgação/MPSP

Divulgação/MPSP


As autoridades também investigam a criação de empresas em diversos estados para dificultar o rastreamento das operações. Conforme o Ministério Público, pessoas em situação de vulnerabilidade social, familiares e até presos teriam sido usados como responsáveis formais por algumas dessas companhias.

Outro eixo da investigação envolve a movimentação financeira do grupo. De acordo com a Receita Federal, seis fintechs suspeitas de operar como estruturas financeiras clandestinas movimentaram mais de R$ 26 bilhões entre 2022 e 2025.

As apurações apontam ainda o uso de fundos de investimento para ocultação patrimonial. Quatro fundos ligados aos investigados possuem patrimônio estimado em cerca de R$ 205 milhões.

Ao todo, estão sendo cumpridos 59 mandados de busca e apreensão em diferentes estados do país, com apoio dos Gaecos do Rio de Janeiro, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul e Paraná.

Segundo o Ministério Público, o objetivo desta fase é aprofundar a identificação das estruturas financeiras utilizadas no esquema e ampliar o rastreamento de possíveis mecanismos de lavagem de dinheiro ligados ao mercado clandestino de combustíveis.