Logo

Namorado de delegada presa em São Paulo teria treinado facção do PCC

Jardel Neto já foi condenado e é citado por ensinar práticas criminosas a jovens

Por: Redação

17/01/202616:00

O namorado da delegada Layla Lima Ayub, presa em São Paulo por suspeita de ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC), é apontado como figura ativa da facção em Roraima. Jardel Neto Pereira da Cruz, de 28 anos, conhecido como "Dedel", aparece em investigações e registros nas redes sociais ensinando jovens ligados ao grupo criminoso práticas de violência e intimidação, segundo apuração da Polícia Federal (PF).

Foto Namorado de delegada presa em São Paulo teria treinado facção do PCC
Foto: Reprodução/Instagram Layla Lima Ayub

Um vídeo divulgado nas redes sociais mostra Jardel orientando adolescentes sobre métodos usados pela facção para punir integrantes, material que integra relatórios policiais. O conteúdo circulava acompanhado de frases que fazem apologia ao crime, conforme os investigadores.

O suspeito foi preso em 2021, em Roraima, durante uma operação da PF, acusado de recrutar adolescentes para uma organização criminosa. À época, a PF identificou publicações em que ele fazia gestos e usava símbolos associados ao PCC, além de frases utilizadas como forma de identificação entre integrantes da facção.

Preso em RR

Preso em RR


Após a prisão, Jardel deu entrada na Penitenciária Agrícola do Monte Cristo (Pamc) e, em 2022, foi condenado a oito anos de prisão em regime semiaberto. Ele chegou a obter saída temporária em 2023, mas não retornou à unidade prisional, sendo recapturado meses depois no município de Marabá, no Pará.

Relatórios de inteligência apontaram que, mesmo fora do sistema prisional, Jardel atuava em bairros da zona Oeste de Boa Vista, onde se apresentava como representante do PCC e pressionava lideranças locais por ações mais violentas, inclusive com menções a possíveis ataques contra autoridades do Judiciário e forças de segurança.

Natural de Santa Inês, no Maranhão, Jardel também é citado por manter postagens com símbolos e expressões ligadas ao PCC, prática classificada pela PF como apologia à organização criminosa.

 

Chumbo trocado

 

A delegada Layla foi presa durante uma operação do Ministério Público de São Paulo que apura a infiltração do crime organizado em estruturas do Estado. Segundo as investigações, ela mantinha vínculo pessoal e profissional com integrantes da facção e teria exercido irregularmente a advocacia mesmo após tomar posse como delegada, em dezembro de 2025.

De acordo com o MP-SP, Layla e Jardel são investigados por organização criminosa e lavagem de dinheiro. A Justiça decretou a prisão temporária do casal e autorizou mandados de busca e apreensão em São Paulo e no Pará. As apurações também envolvem a suspeita de aquisição de um estabelecimento comercial na Zona Leste paulistana com recursos de origem ilícita, possivelmente em nome de terceiros para ocultar patrimônio.