Frete sobe até 7%, mas caminhoneiros podem entrar em greve neste fim de semana
Líderes criticam ausência de fiscalização e ameaçam ação mais incisiva
Por: Redação
18/03/2026 • 10:52
Uma greve nacional de caminhoneiros pode ocorrer até o fim de semana, segundo Wallace Landim, o Chorão, presidente da Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores. A declaração surge em meio a rumores de paralisação e reforça a mobilização da categoria diante da alta do diesel.
De acordo com Landim, a Abrava tem articulado com entidades estaduais para ampliar a adesão e definir uma data única. “Pode acontecer até o fim de semana”, afirmou à Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado. A mobilização ganhou força após assembleia realizada na segunda-feira (16), no Porto de Santos, em São Paulo, que reuniu lideranças de várias regiões do país e deliberou pela paralisação.
O aumento do preço do diesel é o principal motivador do movimento. Segundo o dirigente, o transportador autônomo “está pagando para trabalhar”. Na primeira semana de março, o preço médio do diesel S-10 subiu mais de 7% e se aproximou de R$ 6,90 por litro em média nacional, de acordo com dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis. O cenário é agravado pela escalada do petróleo no mercado internacional, impulsionada pelo conflito no Oriente Médio, com preços acima de US$ 100 o barril.
Mesmo com o pacote do governo federal anunciado em 12 de março, que incluiu redução de tributos e subvenção ao diesel, o efeito foi limitado após o reajuste promovido pela Petrobras no dia seguinte, que elevou os preços nas refinarias em 11,6%. Segundo a Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis, o preço ainda permanece abaixo do valor internacional, mantendo o risco de novas pressões.
Além do aumento do frete de até 7%, anunciado pela Agência Nacional de Transportes Terrestres, a categoria mantém reivindicações estruturais, como o travamento eletrônico da planilha de custo mínimo e a isenção de pedágio para caminhões vazios. Chorão alerta que, sem fiscalização efetiva, o reajuste tem alcance limitado e reforça que o movimento pode se intensificar caso não haja respostas concretas do governo.
Como estratégia inicial, os caminhoneiros priorizam a paralisação voluntária das atividades, orientando que transportadores fiquem em casa e suspendam carregamentos. Mas a categoria não descarta ações mais incisivas nas rodovias caso as demandas não sejam atendidas.
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