Às vésperas do prazo eleitoral, Lula troca ministros e reorganiza base política
Substituições em série buscam garantir governabilidade e ampliar força no Congresso
Por: Redação
31/03/2026 • 10:10
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) realiza nesta terça-feira (31) a última reunião ministerial antes do prazo de desincompatibilização, que se encerra no sábado (4). A expectativa no Palácio do Planalto é de uma troca recorde no comando das pastas.
Ao todo, cerca de 20 ministros devem deixar seus cargos para disputar as eleições de outubro. A estratégia do governo é substituir a maioria deles por secretários-executivos, garantindo continuidade administrativa durante o período eleitoral.
A maior parte dos ministros que deixam o governo pretende concorrer ao Senado. A prioridade se explica pelo peso político da Casa, que possui atribuições exclusivas, como a competência de autorizar a abertura de processos de impeachment contra ministros do STF.
Principais mudanças
Entre as saídas confirmadas, o vice-presidente Geraldo Alckmin deixa o Ministério da Indústria e Comércio para disputar novamente a vice-presidência na chapa de Lula. No lugar dele, assume Márcio Elias Rosa.
Na Agricultura, Carlos Fávaro sai para concorrer ao Senado, sendo substituído por André de Paula. Já em Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho também deixa o cargo para disputar o Senado, com o secretário-executivo Tomé França cotado para assumir.
Outras mudanças incluem:
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Sônia Guajajara deixa a pasta para disputar a Câmara;
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Renan Filho sai para concorrer ao governo de Alagoas;
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Rui Costa disputará o Senado;
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Marina Silva também mira uma vaga no Senado;
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Fernando Haddad já deixou o cargo para disputar o governo de São Paulo;
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Simone Tebet deve concorrer ao Senado;
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Camilo Santana retorna ao Senado para atuar na campanha de reeleição de Lula.
Pastas ainda indefinidas
Apesar da ampla reformulação, ao menos sete ministérios ainda não têm substitutos definidos. Entre eles estão Igualdade Racial, Esportes e Integração e Desenvolvimento Regional.
A maior indefinição envolve a Secretaria de Relações Institucionais, atualmente comandada por Gleisi Hoffmann, que também deixará o cargo para disputar o Senado. O governo busca um nome com bom trânsito na Câmara para conduzir a articulação política durante o período eleitoral.
O líder do governo na Câmara, José Guimarães, foi sondado, mas recusou o convite. Outra possibilidade é Wellington Dias, que decidiu permanecer no governo.
Também há incerteza no Ministério de Minas e Energia. Alexandre Silveira avalia disputar o Senado por Minas Gerais, mas ainda depende do aval de Lula.
Possíveis novas saídas
Outros ministros ainda avaliam entrar na disputa eleitoral, como:
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Márcio França (Senado por SP);
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Anielle Franco (Senado pelo RJ);
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André Fufuca (Senado pelo MA);
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Waldez Góes (Senado pelo AP);
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Macaé Evaristo (Câmara ou Senado).
Na Secretaria de Comunicação Social, Sidônio Palmeira deve deixar o cargo apenas em junho para se dedicar à campanha presidencial.
A reforma ministerial ocorre em meio à preparação do governo para as eleições, com foco em manter a governabilidade enquanto amplia sua presença política no Congresso Nacional.
