Bolsa recua, dólar sobe e petróleo despenca; ouro cai após sessão volátil
Ibovespa se mantém acima dos 180 mil pontos com apoio estrangeiro, enquanto commodities recuam com redução das tensões globais
Por: Redação
02/02/2026 • 17:51 • Atualizado
O mercado financeiro teve um dia de ajustes nesta segunda-feira (2), com queda da Bolsa brasileira, alta do dólar e forte recuo nos preços do petróleo e dos metais preciosos. O movimento refletiu mudanças nas expectativas para a política monetária dos Estados Unidos e a diminuição de riscos geopolíticos no cenário internacional.
O Ibovespa, principal índice da B3, voltou a recuar após se aproximar dos 186 mil pontos, mas conseguiu encerrar o dia sustentado acima dos 180 mil pontos. O cenário externo foi influenciado pela nomeação de Kevin Warsh para a presidência do Federal Reserve (Fed). Para o mercado, o novo comando do banco central americano indica uma condução mais ortodoxa da política monetária, reduzindo a expectativa de cortes rápidos e agressivos nos juros dos Estados Unidos.
Com o ambiente externo menos dominante, os fundamentos domésticos voltaram a ganhar peso. A revisão das projeções de inflação contribuiu para ajustes positivos na curva de juros de longo prazo. O Boletim Focus indicou queda na estimativa do IPCA de 2026 para 3,99%, enquanto a taxa terminal projetada recuou para cerca de 12,15%.
Esse cenário tende a favorecer ativos mais sensíveis aos juros longos, como ações e fundos imobiliários. O IFIX, índice de fundos imobiliários, subiu 0,51% no dia, enquanto os contratos de juros futuros de longo prazo recuaram.
Petróleo em queda
No mercado internacional, os preços do petróleo registraram forte queda. O barril do Brent recuou 4,36%, para US$ 66,30, enquanto o WTI caiu 4,71%, para US$ 62,14. O movimento foi impulsionado pela perspectiva de negociações entre Estados Unidos e Irã sobre um acordo nuclear, reduzindo o prêmio de risco geopolítico.
Além disso, uma liquidação generalizada no mercado de commodities e o fortalecimento do dólar pressionaram as cotações. O mercado também reagiu à manutenção da produção da Opep+ em março e ao aumento das exportações de petróleo da Venezuela, que avançaram cerca de 60% em janeiro.
Petróleo
Dólar sobe levemente
No Brasil, o dólar à vista encerrou o dia em alta de 0,18%, cotado a R$ 5,2577. Apesar da valorização pontual, a moeda norte-americana ainda acumula queda de 4,21% em 2026. O movimento refletiu a realização de lucros após a forte desvalorização registrada em janeiro.
Dólar
Ouro e prata recuam
Os metais preciosos também fecharam em baixa, em um dia marcado por volatilidade. O ouro caiu 1,95%, para US$ 4.652,6 a onça-troy, enquanto a prata recuou 1,94%, a US$ 77,009. A redução das tensões geopolíticas diminuiu a demanda por ativos considerados porto seguro.
Apesar da correção, o Deutsche Bank reafirmou sua visão positiva para o ouro no longo prazo, projetando o metal a US$ 6 mil por onça-troy. Segundo o banco, as motivações atuais dos investidores são mais amplas do que em ciclos anteriores e não devem ser facilmente dissipadas.
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