Temeridade ou desprezo pelo Judiciário?
Desfile no Rio, crise institucional e escândalos no STF alimentam dúvidas sobre o futuro político do governo
19/02/2026 • 13:05
Ao velho amigo Ênio Carvalho!
A ostensiva propaganda política ilegal, contida na homenagem que uma escola de samba prestou ao Presidente Lula, no apoteótico desfile do Rio de Janeiro, já figura, na percepção geral, como uma pedra adicional, no caminho da reeleição do sindicalista. A tal ponto que a unanimidade dos especialistas na matéria a condenou como irresponsável.
A pergunta que não quer calar é porque, sabendo de antemão, como soube, dessa ostensiva ilegalidade, o Presidente não exigiu a retirada dos elementos grosseiramente ofensivos aos requerimentos legais, gerando, como consequência, especulações de toda ordem, a mais sofisticada das quais teria sido um modo desesperado de dividir a intensidade do interesse da opinião pública, excessivamente concentrada nos efeitos negativos acachapantes, para o Governo, do caso Master, sobretudo, com o depoimento de Daniel Vorcaro, esperado para ser mais devastador do que os contidos na mais mortífera Caixa de Pandora.
Observe-se que, ao invés de diminuírem, crescem as dificuldades do governo para encontrar candidatos que o representem nas diferentes unidades da Federação, síndrome que, segundo os analistas, já atingiu, até, o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, que passou a “esconder” o nome de Lula de sua campanha para governar o Estado.
Deixando de lado o caso sem jeito do Ministro do Supremo Dias Toffoli, considerado pela unanimidade dos analistas como sem remédio, as atenções voltarão a se concentrar nas razões que levaram Daniel Vorcaro a assinar um contrato de R$129.600.000,00 (Isso mesmo: cento e vinte e nove milhões e seiscentos mil Reais) com a esposa do ministro do STF Alexandre de Moraes, divididos em 36 mensalidades de R$3.600.000,00 (Três milhões e seiscentos mil Reais), para fazer o que, até o momento, não se sabe.
Os analistas concluem que se trata da mais descarada advocacia administrativa, de caráter latrinário, de que se tem notícia na História desta que continua sendo uma República de Bananas. Especulações tentam reproduzir a evolução do processo de negociação para chegar a esses números, os mais altos na história dos honorários da advocacia brasileira, apontando para uma pedida inicial entre cinco e dez milhões mensais, até chegar aos R$129.600.000,00, divididos em 36 mensalidades. Haja fôlego!
Caso típico e emblemático da Lei do Retorno, segundo a qual colhemos de volta o que lançamos na caudal do Universo. O mais poderoso e arrogante Ministro da História da Suprema Côrte, atropelando a Constituição e atuando em mancebia com um chefe do Executivo, condenado e preso por assaltar o Erário, deu vazão a seus apetites inferiores e usou do excelso posto para vingar-se de quem quer que o desagradasse, a ponto de condenar a duras penas numerosa legião de inocentes, homens e mulheres de passado limpo, levando seu “augusto” nome a figurar como o incontrastável guardião da Pátria. Abroquelado, assim, por inédito prestígio, dele se aproveitou para praticar a mais sórdida e macunaímica advocacia administrativa de que se tem memória em um país que se eterniza na condição de detentor de um promissor futuro que nunca chega.
O assunto, no momento, a que mais se dedicam os brasileiros que pensam é identificar o modo pelo qual os dois ministros faltosos do STF serão varridos da Suprema Côrte, no corrente ou no próximo ano. O consenso tende a conduzir à compreensão de que o menos traumático será, a pedido, a aposentadoria precoce dos dois, de modo a evitar um impeachment ruidoso que, como efeito secundário, varrerá do mapa o Partido dos Trabalhadores, identificado como a seara mais fecunda para a expansão da corrupção e do crime organizado nas terras de Pindorama.
Joaci Góes
Joaci Goés é advogado, jornalista e empresário, além de ter sido deputado federal pela Bahia entre 87 e 91. Também ocupa o cargo de diretor da Associação Comercial da Bahia e sócio do Instituto Genealógico da Bahia.
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