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As trapalhadas do fim de um mau governo

"Todo poder tende a corromper, enquanto o poder absoluto tende a corromper, absolutamente”

05/02/202614:33

Ao empresário e amigo Mário Dantas.

Foto As trapalhadas do fim de um mau governo
Foto: Divulgação / STF

O conhecido pensador inglês, nascido na Itália, Lord Acton (1834-1902) cunhou frase famosa: “Todo poder tende a corromper, enquanto o poder absoluto tende a corromper, absolutamente” (All the power tends to corrupt; and absolute power to corrupt, absolutely). A frase aplica-se ao STF de nossos dias, sob medida, como a mão a uma luva.

O STF (Supremo Tribunal Federal), criado em 1828, consoante mandamento da Constituição Imperial de 1824, é a mais alta instância do poder judiciário brasileiro, tendo como finalidade precípua o cumprimento da Constituição Federal e a proteção dos direitos fundamentais da Pessoa Humana. Entre 1824 e a Proclamação da República, era denominado Supremo Tribunal de Justiça. Nosso STF foi copiado do seu congênere americano, conforme a Constituição Americana de 17 de setembro de 1787.

Desde sua criação, os membros do STF sempre foram vistos como personalidades de excepcional relevo, algo entre o humano e o divino, de tal modo reverenciados por gregos e baianos, até porque o elevado posto significa que os seus ocupantes, semideuses, sejam reconhecidos, explícita e publicamente, como detentores de notório saber jurídico e reputação ilibada.

Compreende-se a intensidade da crise de prestígio, sem precedentes, que abala essa nobilíssima Instituição, em razão de algumas de suas excelências se terem comportado de modo tão latrinário, ao obterem vantagens descaradas e vergonhosas de suas atribuições que, mesmo num país reconhecidamente tolerante com a corrupção, como é o Brasil, alguns desses marginais togados não conseguirão escapar da degola, por não ser possível haver corporativismo que os salve. Para fugir de inevitável e oprobriosa condenação, suas excelências, se do espírito da moralidade japonesa dotados fossem, recorreriam, inevitável e briosamente, ao Haraquiri, como prova de sua regeneração espiritual, antes do suspiro derradeiro.

Reiniciados os trabalhos do Congresso Nacional, é risível testemunhar as acrobacias que realizam os governistas, ao fazerem de conta que monumentais escândalos como o impiedoso roubo dos velhinhos do INSS, a penca de crimes embutidos na quebra do Banco Master e os gastos milionários com o cartão corporativo de Lula não lhes dizem respeito, nem oferecem obstáculos em sua insensata marcha eleitoral. A verdade que não quer calar se exprime nas dificuldades para a escolha e consolidação de nomes para concorrerem em grandes colégios eleitorais, a exemplo de São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Espírito Santo, Goiás, Bahia, onde se cogita intensamente, da substituição de Jerônimo Rodrigues, em razão do fracasso do seu governo, Brasília, etc...

Enquanto isso, buscando cumprir a Lei, o STM (Superior Tribunal Militar), inicia o processo de expulsão dos quadros das Forças Armadas de Jair Bolsonaro e os oficiais superiores que com ele foram condenados pela tentativa de um golpe de Estado, presente, exclusivamente, na mente fascista de ministros do STF associados ao governo corrupto de Lula. Tratou-se, na realidade, de uma vingança pessoal e mesquinha de quem viria desonrar a toga, locupletando-se na prática da mais desavergonhada advocacia administrativa de que se tem memória no Excelso Pretório. Pensamos, porém, que a rápida mudança da maré política, em curso de acelerada consolidação, não permitirá que chegue a termo a drástica consequência de uma condenação injusta, ominosa e carregada de aviltantes sinais psicopáticos, que é imperioso denunciar e desmascarar, para alívio da imensa dor coletiva.

Se não formos capazes de instalar uma CPI para revelar a intensidade do envolvimento do Executivo, a partir da recepção do Vorcaro por Lula, fora da agenda oficial, em fins de 2024, temos de cantar, adaptando a conhecida canção aos novos tempos: “Se gritar pega ladrão, ficarão poucos, meu irmão!”

Joaci Góes

Joaci Goés é advogado, jornalista e empresário, além de ter sido deputado federal pela Bahia entre 87 e 91. Também ocupa o cargo de diretor da Associação Comercial da Bahia e sócio do Instituto Genealógico da Bahia.