“O corpo não esquece os traumas”, afirma psicoterapeuta
Patrícia Valle falou sobre traumas, relações humanas e saúde mental
Por: Domynique Fonseca
25/05/2026 • 12:51 • Atualizado
A psicoterapeuta transpessoal e escritora Patrícia Valle (@patriciavalle.soul) afirmou que o excesso de cobranças emocionais e a falta de acolhimento têm impactado diretamente a saúde mental das pessoas. A declaração foi dada durante entrevista ao programa Portal Esfera no Rádio, na rádio 97,5 FM, apresentado por Luis Ganem, nesta segunda-feira (25).
Com formação em dança pelo Teatro Municipal de São Paulo e pela Royal Academy of London, além de atuação nas áreas de terapia transpessoal e desenvolvimento humano, Patrícia falou sobre a relação entre traumas, comportamento e adoecimento emocional.
Segundo ela, muitas experiências vividas ao longo da vida permanecem registradas não apenas emocionalmente, mas também no corpo físico.
“Os traumas ficam na memória do corpo. Muitas vezes a pessoa acha que está bem, mas continua repetindo padrões, carregando dores e desenvolvendo doenças porque não conseguiu olhar para aquilo que viveu”, afirmou.
Durante a entrevista, a terapeuta explicou a diferença entre o que classificou como “traumas pequenos” e “traumas grandes”. Como exemplo, citou situações recorrentes de rejeição e desvalorização vividas na infância e adolescência.
“Uma criança que escuta constantemente que é incapaz ou incompetente pode carregar isso por toda a vida. São pequenas violências emocionais que acabam deixando marcas profundas”, disse.
Ao abordar saúde emocional, Patrícia destacou a importância do pertencimento e do acolhimento nas relações humanas. Segundo ela, a necessidade de ser visto, ouvido e amado está no centro de grande parte dos conflitos emocionais.
“Todos nós precisamos pertencer. Quando alguém cresce sem acolhimento, sem ser visto, passa a vida tentando preencher esse vazio”, afirmou.
A psicoterapeuta também criticou o excesso de exposição e comparação nas redes sociais, especialmente entre adolescentes. Para ela, a pressão por sucesso imediato e reconhecimento tem provocado sofrimento emocional em jovens que ainda não possuem maturidade para lidar com essas cobranças.
“Existe uma exigência para que adolescentes já sejam famosos, ricos e bem-sucedidos muito cedo. Isso gera ansiedade, frustração e sensação constante de inadequação”, avaliou.
Patrícia falou ainda sobre práticas de regulação emocional e destacou a importância de exercícios de respiração consciente e presença no cotidiano.
“Respirar de forma consciente ajuda o sistema nervoso a entender que existe segurança. É algo simples, gratuito e que pode fazer diferença na vida das pessoas”, completou.
