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Asma no inverno: veja cuidados para evitar crises em crianças e adultos

Especialistas alertam que vírus respiratórios e ambientes fechados aumentam o risco de agravamento

Por: Redação

12/07/202615:20

Com a chegada do inverno, pessoas que convivem com a asma precisam redobrar os cuidados para evitar crises respiratórias. Apesar da queda nas temperaturas, especialistas explicam que o frio, por si só, não é o principal responsável pelo agravamento da doença. O maior risco está na circulação de vírus respiratórios e na permanência em ambientes fechados.

Foto Asma no inverno: veja cuidados para evitar crises em crianças e adultos
Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

Além disso, o contato com cobertores, casacos e outros objetos guardados por longos períodos pode favorecer a exposição à poeira e aos ácaros, fatores que também costumam desencadear crises em pacientes asmáticos.

A recomendação é manter o tratamento preventivo em dia durante todo o ano, mesmo quando os sintomas estiverem controlados. Isso reduz a inflamação das vias aéreas e diminui as chances de complicações.

O alerta é reforçado por pneumologistas e alergistas, que destacam ainda a importância da vacinação contra doenças respiratórias para evitar hospitalizações, especialmente durante os meses mais frios.

Vírus respiratórios são os principais gatilhos

Segundo o coordenador da Comissão Científica de Asma da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT), Emilio Pizzichini, o aumento das infecções virais é um dos fatores que mais contribuem para o agravamento da doença nesta época do ano.

De acordo com o especialista, quando a asma não está devidamente controlada, um simples resfriado pode intensificar a inflamação dos brônquios e provocar crises.

Outro ponto destacado pelos médicos é a necessidade de manter a vacinação em dia. Imunizantes contra Influenza, Covid-19 e Vírus Sincicial Respiratório (VSR) ajudam a reduzir o risco de infecções respiratórias graves e, consequentemente, diminuem a probabilidade de crises asmáticas.

Ainda conforme Pizzichini, o Brasil possui cerca de 20 milhões de pessoas com asma, o que torna essencial o acompanhamento da doença também na atenção básica de saúde.

Crianças concentram a maioria das internações

Levantamento do Datasus, analisado pela organização Umane, mostra que crianças e adolescentes de até 14 anos responderam por 73,7% das internações por asma registradas no Brasil em 2024.

Somente em julho do ano passado, foram contabilizadas 4.034 internações nessa faixa etária, praticamente o dobro das registradas em janeiro.

Para a pneumologista Marcela Marques, da Umane, medidas simples dentro de casa ajudam a reduzir a exposição aos agentes que desencadeiam crises.

Entre as recomendações estão manter os ambientes ventilados, evitar mofo e umidade, higienizar cortinas, reduzir o acúmulo de brinquedos e bichos de pelúcia nos quartos e dar preferência ao uso de pano úmido ou aspirador, em vez de vassouras, durante a limpeza.

A especialista também orienta substituir cobertores por edredons sempre que possível, já que eles acumulam menos poeira.

Fumaça e ambientes fechados exigem atenção

Outro fator de risco é a exposição à fumaça de cigarros convencionais, cigarros eletrônicos e narguilés.

Segundo os especialistas, o chamado fumante passivo pode sofrer agravamento importante da doença ao permanecer em locais onde há fumaça.

Já o alergista Pedro Giavina-Bianchi, integrante da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (Asbai), explica que o inverno favorece aglomerações em locais fechados, aumentando a transmissão de vírus respiratórios.

Por isso, ele recomenda evitar contato próximo com pessoas gripadas, manter a vacinação atualizada e utilizar máscara em ambientes com maior risco de transmissão, medida que continua eficaz para reduzir a circulação de vírus respiratórios além da Covid-19.