Protesto por morte de Davi mobiliza comunidade em Salvador
Familiares e moradores cobram justiça e criticam ação da polícia
Por: Marcos Flávio Nascimento
02/05/2026 • 20:00 • Atualizado
O clima segue de revolta no Engenho Velho da Federação, em Salvador. Na noite deste sábado (2), moradores voltaram às ruas em um novo protesto pela morte de Davi, de 11 anos, atingido por disparos dentro de casa durante uma operação policial.
Durante o ato, familiares e testemunhas reforçaram a versão de que a polícia militar teria invadido a residência onde o menino estava no momento da ação. Uma prima da vítima, identificada como Viviane, relatou a dinâmica da ocorrência e criticou a condução da abordagem:
“A gente quer justiça. Um bandido entrou na casa na fuga, mas a polícia não negociou, arrombou o portão. Tinha criança dentro, tinha família. Eles invadiram."
Segundo ela, houve demora no socorro ao menino após os disparos.
“Demoraram muito pra socorrer Davi. Jogaram ele como se fosse um bicho. A mãe não pôde entrar. Isso não é certo”, disse, emocionada.
Comunidade cobra por justiça. Foto: Marcos Flávio / Portal Esfera
Moradores unidos
Além dos familiares, o protesto reuniu moradores da região e pessoas que já viveram situações semelhantes. Uma das manifestantes, que não tem parentesco com Davi, contou que participou após perder o próprio filho, de 15 anos, em circunstâncias parecidas, em 2008.
“Ele era pra proteger a gente, mas não protege. Mata inocente. Eu perdi meu filho assim também”, declarou.
O ato foi marcado por gritos de “justiça por Davi” e críticas à atuação policial em áreas periféricas. Em meio à manifestação, moradores também apontaram que a casa onde o menino estava ficou completamente marcada por tiros, reforçando a indignação da comunidade.
A morte de Davi segue sob investigação, enquanto persistem versões divergentes sobre a origem dos disparos. A Polícia Militar da Bahia (PM-BA) sustenta que houve confronto com suspeitos armados, mas familiares e moradores contestam e atribuem os tiros à própria ação policial.
O caso reacende o debate sobre operações policiais em áreas periféricas e o risco enfrentado por moradores, especialmente crianças, em meio a ações desse tipo.
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