Criança morre em ação policial e moradores contestam versão oficial
Família e comunidade apontam ação da PM; caso aconteceu no Engenho Velho da Federação
Por: Marcos Flávio Nascimento
01/05/2026 • 12:24 • Atualizado
O que começou como mais uma ocorrência policial terminou em tragédia e revolta no Engenho Velho da Federação, em Salvador. Um menino de 11 anos, identificado como Davi, morreu após ser atingido por disparos de arma de fogo dentro de casa, na madrugada desta sexta-feira (1º).
De acordo com informações iniciais da Polícia Militar, equipes realizavam incursões na localidade conhecida como Baixa da Égua quando teriam sido recebidas a tiros por suspeitos armados. Houve revide e, no confronto, um homem apontado como integrante do grupo criminoso, conhecido como “Mavi”, foi baleado, socorrido ao Hospital Geral do Estado (HGE), mas não resistiu.
Pouco depois, a mesma unidade hospitalar recebeu Davi, atingido no tórax e na mão. Uma mulher, apontada como tia da criança, também ficou ferida. O menino não resistiu.
No entanto, a versão apresentada pelas forças de segurança é contestada por familiares e moradores da região. A comunidade afirma que os disparos que atingiram a criança teriam partido de policiais militares durante a ação.
Relatos de quem estava no local indicam que a casa onde Davi estava foi invadida durante a operação. Imagens que circulam nas redes sociais mostram o interior do imóvel com marcas de tiros nas paredes, móveis atingidos e sangue espalhado, reforçando o clima de indignação entre os moradores.
Veja o vídeo:
Familiares também relatam que o menino tentou se proteger dentro da residência, o que aumenta ainda mais a comoção em torno do caso. A morte gerou uma onda de revolta no bairro, com manifestações pedindo justiça por Davi.
Protesto após a morte
A repercussão foi imediata. Ainda na manhã desta sexta-feira (1º), moradores realizaram um protesto e bloquearam um trecho da Avenida Vasco da Gama.
Durante o ato, objetos foram queimados na via. Equipes da Polícia Militar foram acionadas para acompanhar a situação, enquanto o Corpo de Bombeiros Militar atuou no controle das chamas. O protesto já foi encerrado, mas a tensão permanece na região.
Versões divergentes
Enquanto a Polícia Militar da Bahia sustenta que houve confronto com suspeitos armados, moradores do Engenho Velho da Federação seguem cobrando respostas e responsabilização. A principal divergência permanece na origem dos disparos que atingiram o menino Davi, de 11 anos.
Em nota oficial, a PM informou que equipes do Batalhão de Patrulhamento Tático Móvel (BPATAMO), com apoio do Comando de Policiamento de Missões Especiais (CPME), realizavam patrulhamento na localidade da Lajinha quando foram alvo de tiros disparados por homens armados, que fugiram por dentro de residências.
Ainda segundo a corporação, durante a progressão tática, houve novos confrontos. Dois suspeitos foram encontrados feridos e um terceiro acabou preso, todos em posse de armas de fogo. Eles foram socorridos e encaminhados ao Hospital Geral do Estado (HGE).
A PM detalhou que, durante a ação, um dos suspeitos teria invadido uma casa efetuando disparos, momento em que uma mulher e a criança foram atingidas. “Ambos foram prontamente socorridos pelas guarnições”, diz o comunicado.
Na operação, foram apreendidas três pistolas, munições, drogas, dinheiro em espécie e celulares, além de outros materiais ligados à atividade criminosa. Diante da possibilidade de reféns, o BOPE foi acionado para estabilizar o cenário.
A corporação informou ainda que todo o material e o suspeito detido foram apresentados ao Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), responsável pela investigação do caso.
Apesar da versão oficial, familiares e moradores contestam o relato e mantêm a acusação de que os tiros que atingiram Davi partiram da própria ação policial. A Polícia Militar declarou que “lamenta profundamente o falecimento da criança” e afirmou que o caso será apurado.
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