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Denis Paim critica Kiss & Fly e acusa pressão sobre taxistas

Presidente da AGT também denunciou supostas irregularidades envolvendo alvarás da categoria

Por: Domynique Fonseca

17/07/202613:06Atualizado

As críticas ao sistema Kiss & Fly do Aeroporto Internacional de Salvador voltaram a marcar o debate sobre a mobilidade no terminal. Em entrevista ao programa Portal Esfera no Rádio, na 97,5 FM, apresentado por Luis Ganem, nesta sexta-feira (17), o presidente da Associação Geral dos Taxistas (AGT), Denis Paim, afirmou que a implantação do modelo tem gerado insegurança entre os profissionais e provocado impactos para passageiros e para a circulação de veículos no entorno do aeroporto.

Denis Paim detalha cenário do embate entre aeroporto e taxistas
Foto: Lorena Bomfim/ Portal Esfera

Segundo o representante da categoria, o principal problema vai além da cobrança prevista para quem ultrapassar 10 minutos na área de embarque e desembarque. Para ele, o modelo tem sido acompanhado por uma série de medidas que pressionam os taxistas.

"É muita pressão para cima dos taxistas. Essa situação não prejudica apenas a categoria, prejudica toda a cidade. Nós trabalhamos há muitos anos no aeroporto, transportando passageiros com responsabilidade e compromisso", afirmou.

Durante a entrevista, Denis voltou a questionar a atuação da empresa responsável pela operação do sistema e criticou o que considera um excesso de cobrança sobre a categoria:

"O argumento é de que o objetivo é organizar o trânsito, mas existe um interesse financeiro. Se cobram cerca de R$ 100 mil para adesão de uma cooperativa e R$ 30 mil por mês, fica difícil acreditar que não há interesse econômico."

Ameaça à praça de táxis

Outro ponto levantado por Denis Paim foi a preocupação dos taxistas com a permanência da praça destinada à categoria no aeroporto.Segundo ele, existe um receio constante de que a estrutura seja retirada.

"Os taxistas vivem apreensivos. Existe uma ameaça permanente de retirada da placa da praça, e isso gera insegurança para quem trabalha diariamente no aeroporto", disse.

O presidente da AGT também criticou a relação da concessionária com órgãos públicos e afirmou que faltam diálogo e abertura para discutir as demandas apresentadas pela categoria.

Congestionamentos continuam

Na avaliação de Denis Paim, os problemas de mobilidade persistem no acesso ao aeroporto, principalmente nos horários de maior movimento. Ele afirmou que congestionamentos são registrados diariamente e que passageiros já chegaram a perder voos em razão das filas formadas na entrada do terminal.

"A fila acontece todos os dias nos horários de maior fluxo. Já transportei passageiros que perderam o voo por causa do congestionamento. Isso continua acontecendo", relatou.

Segundo ele, a situação também tem levado parte dos taxistas a evitar corridas com destino ao aeroporto: "Muitos profissionais já não têm vontade de trabalhar no aeroporto porque sabem que vão enfrentar engarrafamentos e perder tempo durante as viagens."

Marcos Flávio Nascimento/ Portal Esfera

Marcos Flávio Nascimento/ Portal Esfera


Projeto segue sem votação

Durante a entrevista, Denis comentou ainda o projeto de lei que trata do funcionamento do Kiss & Fly na capital baiana. Para ele, o adiamento da votação na Câmara Municipal foi uma estratégia política.

"Entendo que houve uma manobra para adiar essa votação. Na minha avaliação, esse assunto deve ficar para depois do período eleitoral", disse.

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Denúncias sobre alvarás

Além das críticas ao sistema de embarque e desembarque, o presidente da AGT voltou a abordar a situação de taxistas que tiveram alvarás cassados após a apresentação de documentos supostamente falsificados.

Segundo Denis, a associação acompanha mais de uma centena de casos e busca providências junto ao Ministério Público da Bahia:

"As denúncias já foram registradas nas delegacias e a associação também acionou o Ministério Público. Muitos taxistas foram vítimas de pessoas que apresentavam documentos falsos. Há profissionais impedidos de trabalhar e levar o sustento para casa."

De acordo com ele, parte dos motoristas afetados contratou intermediários para realizar procedimentos administrativos, especialmente aqueles com dificuldades no uso das plataformas digitais.

"Nossa luta é para que a Justiça reconheça a boa-fé desses trabalhadores e responsabilize quem realmente praticou as irregularidades", concluiu.