"Dez minutos são insuficientes", diz presidente da ABADEF sobre Kiss & Fly
Presidente da ABADEF diz que regra penaliza pessoas com deficiência
Por: Domynique Fonseca
17/07/2026 • 10:11 • Atualizado
As críticas ao sistema de embarque e desembarque do Aeroporto Internacional de Salvador, o Kiss & Fly, ganharam um novo desdobramento. Após o presidente da Associação Geral dos Taxistas (AGT), Denis Paim, relatar ao Portal Esfera os impactos da medida para motoristas e passageiros, a presidente da Associação Baiana de Deficientes Físicos (ABADEF), Silvanete Brandão Figueiredo, afirmou que o tempo máximo de 10 minutos compromete a acessibilidade de pessoas com deficiência e outros públicos que necessitam de mais tempo para embarcar e desembarcar.
Em entrevista exclusiva ao Portal Esfera, Silvanete, que também é assistente social, professora, ativista pelos direitos da pessoa com deficiência e presidente do Conselho Municipal da Pessoa com Deficiência (COMPED), afirmou que a entidade acompanha o caso e já acionou o Ministério Público da Bahia (MP-BA), solicitando fiscalização e monitoramento da situação.
Segundo ela, a concessionária responsável pela administração do aeroporto chegou a procurar a associação após a repercussão das denúncias, mas o diálogo não teve continuidade.
"Eles pediram para que a gente fosse ao aeroporto, mas depois não marcaram mais essa visita técnica. A intenção era mostrar que dez minutos são insuficientes para uma pessoa com deficiência sair do veículo, fazer a transferência para uma cadeira de rodas ou, por exemplo, para uma pessoa com paralisia cerebral que tenha maior dificuldade de locomoção", afirmou.
Silvanete também disse que a ABADEF não participou da elaboração do modelo adotado no terminal.
"Não, a associação não foi consultada pela empresa e não houve um diálogo suficiente para que pudéssemos participar desse momento", declarou.
Marcos Flávio Nascimento/Portal Esfera
Tempo é considerado insuficiente
Na avaliação da presidente da ABADEF, o limite de 10 minutos não atende às necessidades de pessoas com deficiência e também pode afetar outros grupos que demandam maior tempo para acessar o terminal.
"Os dez minutos não são suficientes para o embarque e desembarque de qualquer pessoa com deficiência, independentemente do grau de limitação. Também não atendem pessoas idosas e famílias com crianças. Esse tempo precisa ser revisto", afirmou.
Ela defende que o assunto seja discutido em uma audiência pública, com a participação do Ministério Público e de outros órgãos competentes, para que o modelo seja reavaliado.
"A gente pretende provocar uma audiência pública junto ao Ministério Público e aos órgãos competentes para que essa modalidade seja revista e para que a pessoa com deficiência não seja penalizada", disse.
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Impacto para motoristas e passageiros
Outro ponto levantado por Silvanete é o possível reflexo da cobrança sobre motoristas de aplicativos, taxistas e familiares responsáveis pelo transporte de pessoas com deficiência.
Segundo ela, a cobrança pode desestimular esses profissionais a aceitarem corridas com destino ao aeroporto, diante do risco de ultrapassar o tempo permitido.
"Os motoristas de aplicativo podem passar a se recusar a levar pessoas com deficiência ao aeroporto porque sabem que podem ter que arcar com essa cobrança. Quem vai pagar essa conta será o motorista, o taxista ou até mesmo a família da pessoa com deficiência. Isso não é admissível quando falamos em acessibilidade e direito à mobilidade", afirmou.
Fundada há 45 anos, a Associação Baiana de Deficientes Físicos (ABADEF) é uma das principais entidades do estado na defesa dos direitos das pessoas com deficiência. Para a presidente da instituição, a discussão sobre o funcionamento do Kiss & Fly precisa considerar as diferentes realidades dos usuários do aeroporto, garantindo que medidas voltadas à organização do trânsito não comprometam o direito de ir e vir de quem necessita de atendimento diferenciado.
