Família e MP da Bahia se opuseram à soltura de autor de chacina em cinema
Mateus da Costa matou três pessoas e deixou nove feridos em atentado em 1999
Por: Mateus Oliveira
13/07/2026 • 20:00
O Ministério Público da Bahia (MP-BA) atuou para tentar impedir que Mateus da Costa Meira deixasse o Hospital de Custódia e Tratamento Psiquiátrico de Salvador por entender que o indivíduo ainda representava risco para a sociedade e para a própria família. As informações são do jornal O Globo.
Responsável por um atentado que resultou em três mortes e 9 feridos no Morumbi Shopping, em 1999, Meira, atualmente com 51 anos, foi solto em 2024. Documentos do processo de execução penal mostram que, até mesmo a família, não queria recebê-lo. Na época do crime, Mateus era estudante de Medicina.
Condenado, ainda no estado de São Paulo, Meira foi condenado a 120 anos de prisão por planejar e executar o tiroteio na sala de cinema. Condenado, começou a cumprir pena na Penitenciária de Tremembé (SP). Em 2004, foi transferido para a Penitenciária Lemos de Brito, em Salvador, onde seus familiares moram. Na instituição, em 2005, Meira tentou matar um companheiro de cela.
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Após ser considerado inimputável, por conta de transtorno mental e absolvido impropriamente pelo Tribunal de Justiça da Bahia, em 2010, começou a cumprir medida de segurança no Hospital de Custódia e Tratamento Psiquiátrico. Em 2024, com anuência da Justiça da Bahia, foi desinternado e pôde voltar para casa.
O MP baiano, entretanto, argumentou que Meira não poderia estar em liberdade por conta da falta de um exame pericial capaz de provar o fim da sua periculosidade. Além disso, o órgão demonstrou a ausência de laudo que comprovasse a aptidão dos pais idosos em recebê-lo e da ausência de um plano de prevenção de riscos todos que estariam ao seu redor. Os promotores também argumentaram a necessidade de novas avaliações sobre o estado psíquico de Mateus.
“Inexiste um estudo social sobre a necessidade de suporte familiar adequado, que aborde a possibilidade de um efetivo controle sobre a conduta do paciente por parte dos seus genitores, pessoas com idade já avançada. Tal preocupação decorre dos laudos periciais que descrevem Mateus da Costa Meira como alguém bastante complexo, com diagnóstico difícil de ser estabelecido”, afirmaram a procuradora-geral de Justiça adjunta para Assuntos Jurídicos, Wanda Valbiraci Caldas Figueiredo, e o promotor de Justiça Thomás Luz Raimundo Brito, assessor especial da Procuradoria-Geral de Justiça da Bahia.
Com a desinternação, em um primeiro momento, a família de Mateus acordou com a Justiça que ficaria sob o cuidado dos pais idosos, Deolindo Vanderlei Meira, 87 anos, e Alina da Costa Meira, 84 anos. Entretanto, posteriormente, os próprios pais informaram à justiça o histórico de violência de Mateus contra a família, o que levaria a família a não recebê-lo. Como apontam os autos, Mateus já havia agredido fisicamente os pais e teria perseguido a própria irmã com uma faca.
Além da violência física contra seus familiares, enquanto estava preso em São Paulo, Mateus mantinha uma lista com os nomes de pessoas que pretendia matar. Os alvos eram pessoas que atuavam no seu júri, advogados que defenderam o processo, jornalistas e médicos.
Mesmo com esse histórico, os pais de Meira resolveram acolher após o anúncio do fechamento do Hospital de Custódia e Tratamento Psiquiátrico da Bahia, já que não havia uma instituição que ele pudesse ser encaminhado. Por segurança, Mateus mora sozinho nos arredores do Shopping Barra.
Vida após cárcere
Após sua soltura, Meira começou a ser visto circulando no Shopping Barra, em Salvador. Rapidamente foi reconhecido e fotos suas começaram a circular nas redes sociais. Mateus é visto circulando nos corredores do shopping e em salas de cinema, mesmo espaço onde cometeu o tiroteio em 1999.
Apesar de estar em liberdade, Mateus tem compromissos assumidos com a Justiça. Ele seguiria em acompanhamento das autoridades e seguiria com o tratamento psiquiátrico, que inclui o uso de medicamentos. Contudo, como apontam os autos de execução, não foi identificado que Meira manteve suas obrigações.
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