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Delegado Arthur Gallas cobra valorização policial e mais rigor contra o crime

Tecnologia, novos presídios e respaldo jurídico foram debatidos pelo entrevistado

Por: Marcos Flávio Nascimento

13/07/202615:30

A valorização dos profissionais da segurança pública, o uso da tecnologia no combate ao crime e a necessidade de endurecer o sistema prisional brasileiro estiveram entre os principais temas abordados pelo delegado da Polícia Civil da Bahia, Arthur Gallas, durante entrevista concedida ao Portal Esfera no Rádio, apresentado por Luis Ganem, na rádio Itapoan FM (97,5), nesta segunda-feira (13).

Delegado Arthur Gallas indica batalha contra o crime
Foto: Lorena Bomfim / Portal Esfera

Ao longo da conversa, o delegado afirmou que o fortalecimento da segurança passa, antes de tudo, pelo investimento nas pessoas que atuam diariamente na linha de frente. Para ele, equipamentos modernos ajudam, mas não substituem a preparação dos profissionais.

"O homem, a mulher, o profissional de segurança pública capacitado para operar da forma mais eficiente possível. Você pode ter a tecnologia que for, mas sem pessoas preparadas você não consegue ter um resultado positivo", afirmou.

Segundo Gallas, esse reconhecimento deve alcançar não apenas policiais civis e militares, mas também outros segmentos que fazem parte da cadeia de proteção da sociedade:

"Temos que valorizar nossos policiais, mas também vigilantes, guardas municipais, policiais penais, agentes de portaria e todos os profissionais envolvidos nesse processo."

Salvamento de bebê durante operação

Durante a entrevista, Arthur Gallas também recordou um dos episódios mais marcantes da carreira. Enquanto coordenava uma operação policial na Bahia, ele interrompeu o deslocamento da equipe após perceber o desespero de um motociclista que transportava uma recém-nascida engasgada.

O delegado contou que utilizou técnicas aprendidas durante a formação policial para realizar a manobra de desengasgo, conseguindo salvar a criança.

"Quando ele tirou o cobertor, era uma bebê de apenas um mês. Fiz a manobra que aprendemos na profissão e consegui desengasgá-la. Hoje ela está bem, graças a Deus", relembrou.

A cena foi registrada por uma equipe de comunicação que acompanhava a operação e acabou repercutindo nacional e internacionalmente.

Tecnologia e inteligência artificial  

Outro ponto defendido por Arthur Gallas foi a ampliação do uso da tecnologia na segurança pública. O delegado citou modelos internacionais, especialmente o adotado pela China, onde sistemas de inteligência artificial monitoram cidades em tempo real. Segundo ele, o monitoramento facilita tanto a prevenção quanto a elucidação dos crimes:

"A tecnologia detecta situações suspeitas e acompanha todo o trajeto da pessoa. A polícia entra em apoio ao que o sistema identifica. Isso aumenta muito a capacidade de investigação."

Na avaliação do delegado, ampliar o videomonitoramento e integrar sistemas de inteligência pode elevar significativamente a eficiência das forças de segurança no Brasil.

Sistema prisional precisa de mudanças, diz delegado

Arthur Gallas também criticou a atual estrutura do sistema prisional brasileiro. Para ele, a superlotação dos presídios, aliada à falta de separação entre criminosos de diferentes perfis, contribui para o fortalecimento das facções.

"O indivíduo entra primário por um furto e sai depois de fazer uma pós-graduação no crime. Isso não pode acontecer", afirmou.

O delegado defendeu a construção de novas unidades prisionais, o fortalecimento da Polícia Penal e mecanismos mais eficazes para impedir a entrada de celulares e drogas nas penitenciárias.

Durante a entrevista, Gallas ainda comentou o modelo adotado por El Salvador no enfrentamento ao crime organizado. Embora reconheça diferenças entre os países, ele afirmou que algumas medidas poderiam ser adaptadas à realidade brasileira:

"Aquele sistema deu resultado. O país saiu de um dos mais violentos do mundo para um dos mais seguros. Claro que seria necessário adaptar à realidade brasileira."

Falta de respaldo desmotiva policiais

Na reta final da entrevista, Arthur Gallas fez críticas ao tratamento dado aos agentes de segurança no Brasil. Segundo ele, muitos policiais acabam se sentindo desamparados diante do sistema jurídico.

"Hoje o policial tem menos voz do que o bandido. Muitas vezes, a palavra do criminoso acaba tendo mais valor do que a do agente que representa o Estado", afirmou.

O delegado também defendeu maior assistência jurídica aos profissionais da segurança pública, argumentando que, ao contrário dos investigados, policiais precisam custear a própria defesa quando respondem a processos:

"Quem está expondo a vida para proteger pessoas que nem conhece também precisa de respaldo. Sem isso, fica cada vez mais difícil manter o policial motivado para cumprir sua missão."