Vacina 'anti-cio' usada em pets pode causar problemas graves de saúde
Produto vendido como método para evitar reprodução contém hormônio que pode provocar alterações nas mamas de cadelas e gatas
Por: Redação
08/07/2026 • 20:00
Com a intenção de evitar o cio e uma possível ninhada, muitos tutores de cadelas e gatas recorrem a um método conhecido popularmente como “vacina anti-cio”. O produto, porém, não é uma vacina e funciona como uma aplicação hormonal que interfere no ciclo reprodutivo dos animais.
A substância usada é a progesterona de longa duração, que age no organismo para impedir sinais comuns do período fértil, como sangramento e inchaço da vulva. Por ser mais barata e de fácil acesso, a aplicação passou a ser utilizada por muitos tutores sem acompanhamento veterinário e sem conhecimento sobre os riscos.
O termo “vacina” surgiu pela forma como o medicamento é aplicado, mas a definição não está correta. Enquanto vacinas são usadas para criar proteção contra doenças, esse produto libera hormônios que simulam uma gestação e alteram o funcionamento natural do corpo do animal.
Complicações podem levar pets a cirurgias de emergência
Entre os problemas observados por veterinários estão infecções uterinas com presença de pus, morte fetal e tumores nas mamas. Nas gatas, também podem ocorrer casos de hiperplasia mamária, situação em que há “crescimento exagerado, doloroso e inflamatório do tecido mamário devido à extrema sensibilidade do tecido à progesterona”.
Há ainda registros de machos que desenvolveram alterações após receberem a aplicação por engano, quando os responsáveis acreditavam que os animais eram fêmeas. Segundo especialistas, muitos atendimentos envolvem pets que chegam em estado grave por causa dos efeitos do hormônio.
A principal recomendação veterinária para impedir a reprodução continua sendo a castração cirúrgica. O procedimento feito em animais jovens e saudáveis costuma evitar complicações mais graves no futuro e também pode reduzir o risco de câncer de mama quando realizado antes do terceiro cio.
Para tutores que não têm condições financeiras, a orientação é buscar campanhas gratuitas ou com valores reduzidos oferecidas por órgãos públicos, ONGs e centros de controle de zoonoses. As informações utilizadas no texto são da coluna É o Bicho!, do portal Metrópoles.
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