Secretário indica que Parque Zoobotânico abriga animais sem condição de soltura
Eduardo Sodré detalha papel do espaço e reforça ações de educação ambiental
Por: Marcos Flávio Nascimento
05/06/2026 • 15:00
O secretário estadual do Meio Ambiente, Eduardo Sodré, afirmou que o Parque Zoobotânico da Bahia, em Salvador, deixou de seguir o modelo tradicional de zoológico e hoje funciona como um centro de acolhimento, pesquisa e educação ambiental voltado principalmente para animais da fauna brasileira. A declaração foi dada nesta sexta-feira (5), durante entrevista ao programa Portal Esfera no Rádio, na rádio Itapoan FM (97,5), apresentado por Luis Ganem.
Segundo o gestor, uma mudança de conceito adotada pelo Governo da Bahia em 2012 redefiniu o papel do equipamento, eliminando gradativamente a presença de espécies exóticas tradicionalmente associadas a zoológicos, como leões, elefantes e girafas.
"Você não vai achar elefante, girafa ou leão. A decisão foi trabalhar somente com animais da nossa fauna nativa", explicou.
De acordo com Sodré, os animais mantidos no parque não foram adquiridos para exposição pública. Todos chegaram ao local por meio de resgates, apreensões ou entregas voluntárias feitas por cidadãos e órgãos ambientais.
Animais acolhidos não podem retornar à natureza
O secretário destacou que a permanência dos bichos nos recintos ocorre apenas quando não há condições técnicas para devolvê-los ao habitat natural:
"Todos os animais que estão ali é porque estão em impossibilidade de viver em vida livre."
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Entre os exemplos citados está o de animais criados em cativeiro desde filhotes, que perderam características essenciais para sobrevivência na natureza. Nesses casos, equipes de veterinários e biólogos realizam avaliações para determinar a viabilidade da soltura.
Quando a reintegração ao ambiente natural é possível, os animais são encaminhados para áreas de soltura cadastradas e monitoradas. Caso contrário, permanecem sob cuidados especializados no parque ou são destinados a instituições parceiras.
"Se soltar na natureza, muitos deles acabam morrendo porque não aprenderam a sobreviver em ambiente aberto", explicou.
Educação ambiental e denúncias
Durante a entrevista, Eduardo Sodré também reforçou a importância das ações de educação ambiental, especialmente entre crianças e adolescentes, como forma de combater a criação irregular de animais silvestres.
O secretário relatou que campanhas realizadas em escolas e espaços públicos têm incentivado a entrega voluntária de espécies mantidas ilegalmente em residências:
"Quando você mostra para uma criança um animal preso em uma gaiola e pergunta se ela gostaria de viver daquela forma, isso gera um impacto enorme."
Para denúncias relacionadas a crimes ambientais e criação irregular de animais silvestres, a população pode acionar o Disque Denúncia do Inema, pelo telefone 0800 071 1400.
Já casos que envolvam resgate ou entrega voluntária de animais podem ser comunicados diretamente ao Cetas (Centro Estadual de Triagem de Animais Silvestres), por meio do número (71) 99661-3998.
Ainda na entrevista, o secretário alertou para os efeitos das mudanças climáticas e informou que áreas do estado já registram focos de incêndio florestal, mesmo antes do período mais crítico do ano.
"A crise climática é real e já está acontecendo. Precisamos mudar comportamentos agora para garantir um futuro melhor", concluiu.
No Dia Mundial do Meio Ambiente, celebrado nesta quinta-feira, a Secretaria do Meio Ambiente também destacou investimentos recentes no Parque Zoobotânico, incluindo a entrega de uma nova estrutura de nutrição animal, jardins ecológicos e melhorias em áreas destinadas à pesquisa e visitação pública.
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