Fogos do São João exigem atenção redobrada com cães e gatos
Veterinária alerta para riscos de fugas, crises de ansiedade e problemas de saúde em pets
Por: Domynique Fonseca
11/06/2026 • 13:01 • Atualizado
Os cuidados com cães e gatos durante o período junino foram tema da entrevista desta quinta-feira (11) no programa Portal Esfera no Rádio, na 97,5 FM, apresentado por Luis Ganem. A convidada foi a médica-veterinária Miúcha Furtado, graduada pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), especialista em Clínica Médica de Pequenos Animais com ênfase em Oftalmologia Veterinária e sócia da clínica AMA Pets (@amapets.salvador). Durante a conversa, ela alertou para os impactos dos fogos de artifício na saúde e no comportamento dos animais de estimação.
Segundo a especialista, a combinação entre os festejos de São João e a realização da Copa do Mundo neste mês aumenta a preocupação dos tutores. O volume maior de fogos, bombas e outros artefatos sonoros pode desencadear episódios de medo intenso, ansiedade e até problemas físicos em alguns animais.
“Juntou São João, juntou Copa do Mundo, e aí é fogo, é bomba. Os tutores já começam a ficar muito desesperados porque os animais sofrem muito nessa época”, afirmou.
Durante a entrevista, Miúcha explicou que a forma como cães e gatos reagem aos estampidos está diretamente relacionada ao processo de adaptação vivenciado nos primeiros meses de vida. Animais acostumados desde filhotes a diferentes sons tendem a apresentar respostas menos intensas quando adultos.
De acordo com a veterinária, é possível trabalhar esse condicionamento por meio da associação positiva, utilizando petiscos, brincadeiras e demonstrações de afeto enquanto o animal é exposto gradualmente a áudios semelhantes aos de fogos de artifício.
“Quando ele escuta aquele som e recebe algo positivo em troca, começa a entender que aquilo não representa perigo. No animal adulto o processo é mais lento, mas ainda pode trazer resultados”, explicou.
Ela ressalta, porém, que a adaptação se torna mais difícil em animais idosos ou naqueles que passaram anos associando os estampidos a situações de medo e insegurança.
Fugas preocupam especialistas
Entre os problemas mais comuns registrados nessa época do ano estão as fugas. Assustados com o barulho, muitos cães tentam escapar do ambiente onde estão, o que aumenta o risco de atropelamentos, desaparecimentos e outros acidentes.
Para reduzir esse perigo, a recomendação é manter os animais em locais seguros e fechados, longe de portões e acessos para a rua.
“A primeira providência é impedir que ele tenha qualquer possibilidade de fuga. Em momentos de pânico, o animal não consegue avaliar os riscos e tenta sair daquela situação a qualquer custo”, alertou.
Outra orientação é utilizar recursos que ajudem a diminuir a intensidade dos sons externos, como música ambiente, televisão ligada ou até algodão no conduto auditivo dos cães, sempre com os devidos cuidados.
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Presença do tutor ajuda a acalmar
A médica-veterinária também destacou a importância do suporte emocional oferecido pelos tutores. Segundo ela, os cães costumam eleger uma pessoa de referência dentro da família e tendem a se sentir mais seguros quando permanecem próximos dela durante situações de estresse.
“Essa referência emocional funciona como uma fonte de segurança. Muitas vezes, apenas a presença do tutor já ajuda o animal a enfrentar aquele momento com menos sofrimento”, disse.
Nos casos mais graves, no entanto, o acompanhamento veterinário pode ser necessário. Dependendo do nível de ansiedade apresentado pelo pet, medicamentos específicos podem ser indicados para evitar complicações.
Gatos costumam buscar abrigo sozinhos
Miúcha observou que os gatos geralmente apresentam uma reação diferente da observada nos cães. Quando assustados, costumam procurar espontaneamente locais fechados e silenciosos para se proteger.
“O gato procura um guarda-roupa, uma caixa ou algum lugar que funcione como toca. Ele se sente protegido ali e tende a passar por esse período de forma mais tranquila”, explicou.
Apesar disso, a especialista reforça que os felinos também sofrem com os barulhos e devem receber atenção dos tutores durante os festejos.
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