"Animal silvestre não é pet", alerta comandante da COPPA
Comandante da unidade destacou ações de prevenção, resgate de animais e combate aos crimes ambientais
Por: Domynique Fonseca
15/07/2026 • 12:56 • Atualizado
A educação ambiental é uma das principais estratégias adotadas pela Companhia Independente de Polícia de Proteção Ambiental (COPPA) para prevenir crimes contra a fauna e a flora na Bahia. A avaliação foi feita pela comandante da unidade, a tenente-coronel Érica Patrícia Santos Silva, durante entrevista ao programa Portal Esfera no Rádio, na 97,5 FM, apresentado por Luis Ganem, nesta quarta-feira (15).
Responsável pelas ações da COPPA em Salvador e em outros 156 municípios, a oficial explicou que a companhia atua 24 horas por dia em ocorrências como resgate de animais silvestres, combate à pesca predatória, poluição sonora, desmatamento e ocupações irregulares. Ela destacou ainda que a Polícia Militar mantém outras duas companhias ambientais no estado, sediadas em Lençóis e Porto Seguro.
"A Polícia Militar, além de ser uma força a serviço do cidadão, também está preocupada com a proteção da nossa flora, da nossa fauna e dos recursos hídricos. Hoje, a Bahia possui três companhias ambientais, formadas por homens e mulheres comprometidos em servir e proteger o meio ambiente", afirmou.
Durante a entrevista, a comandante contou que havia retornado de uma missão da Caravana Bahia Sem Fogo, iniciativa que reúne diversos órgãos públicos para orientar comunidades sobre a prevenção de incêndios florestais. Segundo ela, a integração entre as instituições é essencial, principalmente diante da previsão de um período de estiagem mais severo em algumas regiões do estado.
"Ninguém caminha sozinho. Trabalhamos de forma integrada com o Ibama, Inema, Corpo de Bombeiros, brigadistas, Guardas Municipais e outros órgãos. Com a aproximação do El Niño, existe uma preocupação maior com o aumento das temperaturas e dos incêndios florestais", explicou.
A tenente-coronel também chamou a atenção para o desconhecimento da população em relação à legislação ambiental. De acordo com ela, muitas infrações são cometidas porque as pessoas não sabem que determinadas práticas são consideradas crime.
"Muitas pessoas cometem crime ambiental porque não entendem que aquilo é proibido. Há quem mantenha um pássaro silvestre em uma gaiola ou corte uma árvore nativa para produzir carvão acreditando que isso não configura crime. A Lei Federal nº 9.605 prevê punições para essas situações, e o responsável pode responder criminalmente", ressaltou.
Apesar da atuação repressiva, Érica Patrícia afirmou que o foco inicial da COPPA é orientar a população para evitar que os crimes se repitam.
"A educação ambiental vem em primeiro lugar. Quando percebemos que a orientação não foi suficiente e a irregularidade continua, aí realizamos a apreensão do material e conduzimos o responsável à delegacia", disse.
Divulgação/ COPPA
Jabutis e pássaros em cativeiro
Outro tema abordado foi a criação de animais silvestres em residências, prática ainda comum em diversas cidades do estado. A comandante citou o caso dos jabutis e das aves mantidas em cativeiro e alertou para os prejuízos causados aos animais.
"O animal silvestre não é um animal de estimação. Ele precisa viver na natureza. O jabuti, por exemplo, pode desenvolver problemas no casco por causa da alimentação inadequada e da falta de um ambiente apropriado", explicou.
Ao falar sobre aves engaioladas, a comandante fez um paralelo com o período de isolamento social vivido durante a pandemia da Covid-19.
"Quando colocamos um pássaro em uma gaiola, nós o condenamos a um confinamento permanente. Ele nasceu para voar, dispersar sementes e contribuir com o equilíbrio da natureza. O maior gesto de amor é deixá-lo livre", afirmou.
Segundo ela, além de comprometer o bem-estar do animal, o cativeiro também pode afetar a preservação das espécies.
"Se esse pássaro permanece sozinho em uma gaiola, ele não se reproduz. Com o passar do tempo, determinadas espécies podem desaparecer da natureza, e as futuras gerações deixarão de conhecê-las", comentou.
Divulgação/ COPPA
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Maus-tratos e regularização
Questionada sobre casos de maus-tratos a animais de grande porte, a comandante explicou que a COPPA atua em parceria com outros órgãos, como a Diretoria de Proteção Animal (DIPA), responsável pela avaliação veterinária.
"Quando há indícios de maus-tratos, fazemos uma ação integrada. A Polícia Militar identifica o responsável, que pode ser conduzido à delegacia, enquanto o animal recebe atendimento e é recolhido pelos órgãos competentes", destacou.
Érica Patrícia esclareceu que pessoas que mantêm animais silvestres há muitos anos podem buscar a regularização da situação na Justiça, desde que preencham os requisitos previstos na legislação.
"Há situações em que o animal já vive há décadas com uma família e não consegue mais retornar à natureza. Nesses casos, é possível solicitar aos órgãos ambientais a condição de fiel depositário. Cada pedido é analisado individualmente", concluiu.
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