Conheça as raças de cães com mais predisposição a doenças, segundo especialista
Pugs, boxers e outros estão entre os cães com mais problemas, aponta TikTok
Por: Iago Bacelar
19/07/2025 • 14:00
Adoção consciente é uma das principais recomendações feitas pela veterinária Rachel Siu, que viralizou no TikTok ao listar as cinco raças de cães com maior propensão a problemas de saúde graves. Apesar de populares, esses animais costumam gerar altos custos veterinários e demandam cuidados constantes, o que pode afetar diretamente a qualidade de vida do pet e do tutor.
A profissional destaca que algumas raças são escolhidas pela aparência ou temperamento, mas escondem riscos sérios de doenças cardíacas, respiratórias, neurológicas e até cânceres. A seguir, conheça as raças citadas e os motivos da preocupação.
Boxer apresenta riscos cardíacos e propensão a câncer
Entre os primeiros da lista está o boxer, considerado brincalhão, mas com sérios riscos à saúde.
“Embora sejam cães muito brincalhões, eles têm muitos problemas de saúde”, explica Rachel.
De acordo com a veterinária, doenças intestinais, cardíacas e medulares são comuns nesses cães. A situação se agrava pela alta incidência de câncer, com destaque para mastocitomas, linfomas e hemangiossarcoma. Por isso, ela não recomenda a adoção da raça.
Shar Pei pode sofrer com úlceras e febre específica
Com aparência única e pele enrugada, o Shar Pei também é citado como uma raça de risco. A veterinária alerta para complicações severas associadas à estrutura da pele, especialmente ao redor dos olhos.
“A pele da pálpebra se dobra sobre si mesma”, afirma.
Esse quadro favorece a formação de úlceras dolorosas, além da hipotireoidismo, presente em 20% dos cães da raça. Outro ponto de atenção é a chamada "febre Shar Pei", uma condição inflamatória hereditária.
Cavalier King Charles Spaniel tem coração frágil
Considerado um dos cães mais afetivos, o Cavalier King Charles Spaniel apresenta um quadro preocupante de doença cardíaca precoce.
“Eles têm 20 vezes mais probabilidade de ter doença da válvula mitral”, informa a especialista.
Dados citados por Rachel apontam que 50% desenvolvem problemas cardíacos até os cinco anos. Além disso, a raça apresenta 70% de incidência de malformações cranianas, que provocam dores intensas. A profissional relata ter visto muitos morrerem ainda jovens, o que também leva à recomendação de não adotar a raça.
Pug enfrenta sérios problemas respiratórios e dentários
Popular por seu focinho achatado e aparência carismática, o Pug é a raça braquicefálica mais conhecida, mas também uma das mais vulneráveis.
“Muitos morrem de insolação no verão”, alerta Rachel.
Além da baixa tolerância a exercícios, o formato do crânio provoca problemas respiratórios severos. A especialista também chama atenção para doenças dentárias, que podem fazer os olhos se projetarem anormalmente. As dobras da pele facial, por sua vez, favorecem infecções frequentes.
São-Bernardo sofre com excesso de saliva e complicações
Encerrando a lista, o São-Bernardo aparece como uma raça menos frágil, mas que ainda requer cuidados. O foco está nas glândulas salivares hiperativas, que causam desconfortos e inflamações recorrentes.
“Não apoio a criação dessas características só por serem fofas”, diz Rachel.
Ela enfatiza que a aparência não deve ser o critério principal na escolha de um animal de estimação. Para a profissional, a prioridade deve ser sempre a saúde e o bem-estar do cão.
Adoção consciente requer informação e planejamento
A veterinária destaca que os tutores devem buscar informações confiáveis antes de escolher uma raça. A adoção de cães com predisposição genética a doenças exige comprometimento emocional, financeiro e, muitas vezes, preparo técnico para lidar com possíveis emergências.
Rachel defende a disseminação desse tipo de conteúdo como forma de proteger tanto os animais quanto os seus futuros tutores. A divulgação de informações em redes sociais, como TikTok, tem alcançado grande público e contribuído para decisões mais responsáveis.
Para quem deseja adotar um cão, o ideal é buscar orientação com profissionais da área veterinária e considerar a possibilidade de adotar animais sem raça definida, que muitas vezes apresentam menos problemas hereditários e vivem por mais tempo.
A discussão levantada pela especialista também joga luz sobre a criação seletiva de raças com padrões estéticos prejudiciais, tema cada vez mais debatido por entidades de proteção animal.
Com o alerta, a veterinária reforça que a aparência jamais deve estar acima da saúde, e que a responsabilidade começa antes mesmo da adoção.
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