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Tubarões têm cocaína, cafeína e remédios no sangue, aponta estudo

Pesquisa liderada por cientista brasileira liga contaminação à poluição causada por humanos

Por: Redação

24/03/202619:50

Um estudo recente chamou atenção ao revelar a presença de substâncias incomuns no sangue de tubarões nas Bahamas. Entre os compostos detectados estão cafeína, anti-inflamatórios como diclofenaco e paracetamol, além de cocaína. Segundo os pesquisadores, a contaminação está diretamente relacionada à poluição marinha provocada por atividades humanas.

Tubarões
Foto: Ilustrativa/Reprodução/Freepik

A pesquisa foi coordenada pela cientista brasileira Natascha Wosnick, da Universidade Federal do Paraná, em colaboração com especialistas de outros países. Os resultados foram divulgados em fevereiro na revista científica Environmental Pollution.

As amostras foram coletadas de tubarões que vivem nas proximidades da Ilha Eleuthera. A análise indica que a exposição a esses compostos pode afetar a saúde dos animais, provocando alterações como insuficiência renal, hiperglicemia e mudanças no metabolismo lipídico.

“Este é o primeiro relato sobre contaminantes emergentes (CECs) e possíveis respostas fisiológicas associadas em tubarões das Bahamas, apontando para a necessidade urgente de abordar a poluição marinha em ecossistemas frequentemente considerados intocados”, alertam os autores no artigo.

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No total, foram analisados 85 tubarões de cinco espécies diferentes. Cerca de um terço apresentou resultados positivos para anti-inflamatórios e cafeína, enquanto um único animal testou positivo para cocaína. Os dados reforçam o alcance da contaminação nos oceanos.




Aumento do turismo e da construção



 

Os pesquisadores também destacam o aumento do turismo e da construção de casas de veraneio na região como fatores que contribuem para a alteração da composição química da água.

“[A investigação] é fundamental não apenas para salvaguardar um componente ecológico essencial dos ecossistemas costeiros, mas também para preservar os benefícios sociais e econômicos que eles proporcionam”, concluem.