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Pesquisa alerta para risco de extinção de jumentos no Nordeste

Documento apresentado na Bahia reúne dados sobre a queda da espécie

Por: Redação

20/05/202618:30

A redução do número de jumentos no Brasil levou pesquisadores brasileiros e internacionais a declarar estado de emergência para a espécie no Nordeste. O posicionamento está na “Declaração de Salvador”, documento apresentado durante o IV Workshop Internacional Jumentos do Brasil: Futuro Sustentável, realizado em maio, na Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA).

jumento
Foto: Ilustrativa/Marcelo Camargo/Agência Brasil

Levantamentos apresentados por especialistas da Universidade de São Paulo (USP), Universidade Federal da Bahia (UFBA), Universidade Federal do Paraná e Universidade Federal de Alagoas mostram que o país perdeu 94% da população de jumentos entre 1996 e 2025. Os dados utilizados no estudo têm como base informações do Ministério da Agricultura e Pecuária, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e do sistema Agrostat.

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Segundo os pesquisadores, o abate destinado à exportação de peles para a China aparece como principal fator para o desaparecimento dos animais. As peles são utilizadas na fabricação do “eijiao”, produto derivado do colágeno extraído das carcaças e empregado na medicina tradicional chinesa. O grupo também afirma que há preocupação com possíveis riscos sanitários ligados à atividade, além da falta de controle sobre a origem dos animais abatidos.

Alerta sanitário

Em abril deste ano, a Justiça Federal proibiu o abate de jumentos na Bahia após identificar maus-tratos, irregularidades sanitárias e ameaça de extinção da espécie.

O documento apresentado em Salvador também menciona evidências de contaminação por metais pesados em produtos derivados dos animais e aponta denúncias relacionadas a trabalho infantil, condições análogas à escravidão e crimes ambientais associados ao comércio internacional de peles.

Os pesquisadores ainda citaram a decisão da União Africana, que aprovou uma moratória continental contra o abate de jumentos nos 55 países integrantes do bloco. Segundo os especialistas, o modelo econômico baseado exclusivamente na venda de peles é considerado inviável diante das características reprodutivas da espécie.