O banqueiro Daniel Vorcaro deve deixar a Penitenciária Federal em Brasília após decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou a transferência para a carceragem da superintendência da Polícia Federal. A medida ocorre em meio a uma nova fase do caso, marcada por possíveis negociações com autoridades.
A movimentação ocorreu depois que Vorcaro alterou sua equipe jurídica. A banca de Pierpaolo Bottini deixou o processo logo após o STF formar maioria pela manutenção da prisão. No lugar, assumiu o criminalista José Luis Oliveira, conhecido por atuar em acordos complexos.
A troca de advogados foi interpretada como um gesto estratégico. A nova condução da defesa indica abertura para um eventual acordo de delação premiada junto à Polícia Federal (PF) ou à Procuradoria-Geral da República (PGR), o que pode influenciar diretamente o andamento das apurações.
Impacto no sistema financeiro
O caso tem como origem a liquidação extrajudicial do Banco Master, determinada pelo Banco Central em novembro de 2025, após a instituição enfrentar um colapso de caixa. A crise foi associada à oferta de rendimentos elevados, prática que teria contribuído para o desequilíbrio financeiro.
As investigações apontam um esquema estimado em R$ 17 bilhões, com indícios de criação de créditos fictícios e tentativas de negociação desses ativos com o Banco de Brasília (BRB). Vorcaro chegou a ser preso na Operação Compliance Zero, respondeu em liberdade por um período e acabou detido novamente no início de março.
O caso também levou ao afastamento de funcionários do Banco Central e atingiu outras empresas ligadas ao grupo, como a Reag Investimentos e o Banco Pleno.