MP investiga psicoterapeuta após transferência de R$ 345 mil
Caso em Salvador envolve denúncias de estelionato e violência psicológica
Por: Redação
27/05/2026 • 08:54
Uma movimentação de R$ 345 mil está no centro da investigação conduzida pelo Ministério Público da Bahia (MP-BA) contra o psicoterapeuta Jordan Campos, conhecido nas redes sociais como Jordan Van Der Zeijden Campos. Segundo o órgão, o valor teria sido transferido por uma paciente após ela compartilhar detalhes da própria situação financeira durante atendimentos terapêuticos.
Na terça-feira (26), equipes cumpriram mandados de busca e apreensão em imóveis ligados ao investigado nos bairros da Pituba e Caminho das Árvores, em Salvador.
De acordo com o MP-BA, ao menos quatro mulheres formalizaram denúncias contra o profissional. A Justiça também determinou o bloqueio de cerca de R$ 960 mil das contas dele.
As investigações fazem parte da chamada Operação Catarse, conduzida pelo Gaeco e pelo Núcleo de Enfrentamento às Violências de Gênero em Defesa dos Direitos das Mulheres (Nevid).
Paciente teria investido dinheiro em consultório
Segundo informações do processo, a paciente teria sido influenciada a investir recursos financeiros no consultório após relatar detalhes da própria condição econômica durante sessões terapêuticas.
Ainda conforme a investigação, a mulher chegou a se mudar para Salvador para trabalhar no local.
O MP aponta que, posteriormente, ela teria sido afastada da administração do negócio e perdido acesso às movimentações financeiras da empresa.
O valor transferido, segundo os investigadores, não teria sido devolvido.
Para o Ministério Público, existem indícios de estelionato, exploração de vulnerabilidade emocional, quebra de confiança e obtenção de vantagem econômica indevida.
Denúncias incluem assédio e violência sexual
Além do caso financeiro, outras denúncias também passaram a integrar a investigação.
Uma ex-aluna, que também teria sido paciente do psicoterapeuta, afirma ter sofrido atos sexuais sem consentimento após ser convencida a viajar do Rio Grande do Sul para a Bahia.
Outras duas mulheres relataram episódios de assédio moral, assédio sexual e coerção psicológica dentro do ambiente profissional.
Segundo o MP-BA, os depoimentos apresentam um padrão semelhante de comportamento atribuído ao investigado.
As vítimas ainda relataram que outras mulheres poderiam não ter procurado as autoridades por medo, vergonha ou constrangimento.
MP aponta possível uso de vulnerabilidade emocional
Com mais de 400 mil seguidores nas redes sociais, Jordan Campos realizava atendimentos em diferentes cidades brasileiras e promovia cursos, mentorias e palestras.
De acordo com o Ministério Público, o investigado utilizaria informações íntimas compartilhadas pelas pacientes para criar relações de dependência emocional.
As apurações indicam que, desde pelo menos 2020, ele buscaria mulheres em situação de fragilidade psicológica para obter vantagens financeiras e sexuais.
Além das buscas e apreensões, a Justiça autorizou a quebra de sigilos informáticos e telemáticos do investigado.
Também foi determinada a suspensão imediata das atividades profissionais ligadas a atendimentos, cursos, palestras e mentorias.
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