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Machismo estrutural impacta violência contra mulheres, diz especialista

Advogada alerta para aumento de casos e sobrecarga no sistema de proteção

Por: Redação

02/04/202612:47

A advogada criminalista e professora da Universidade Federal da Bahia (UFBA), Thaís Bandeira, afirmou que o machismo estrutural ainda exerce papel na manutenção da violência contra mulheres no Brasil. A declaração foi feita durante entrevista ao programa Portal Esfera, na 97,5 FM, apresentado por Luis Ganem, nesta quinta-feira (2).

Foto Machismo estrutural impacta violência contra mulheres, diz especialista
Foto: Lorena Bomfim/ Portal Esfera

Segundo a especialista, o conceito de machismo estrutural está ligado a práticas cotidianas e comportamentos socialmente naturalizados desde a infância.

“Quando se diz a um menino que ‘homem não chora’ ou que determinadas tarefas são ‘coisa de mulher’, estamos reforçando papéis que perpetuam desigualdades”, explicou.

Para Thaís Bandeira, essas construções sociais ultrapassam o campo das leis e influenciam diretamente a forma como homens e mulheres se comportam e se relacionam. Ela destaca que o enfrentamento desse tipo de machismo passa por mudanças culturais profundas, sobretudo na educação e na formação social.

Durante a entrevista, a advogada também abordou o aumento da demanda por atendimento em casos de violência doméstica. De acordo com ela, há um crescimento expressivo de processos nas varas especializadas, além de sobrecarga em delegacias, como a Delegacia Especial de Atendimento à Mulher.

“Não sabemos se os casos aumentaram ou se as mulheres estão mais encorajadas a denunciar, mas o fato é que o sistema não tem conseguido acompanhar essa demanda”, afirmou. A especialista ressaltou que, atualmente, há maior compreensão de que a violência vai além da agressão física, incluindo também formas psicológicas, sexuais e patrimoniais.

Thaís pontuou ainda que a violência atinge mulheres de diferentes classes sociais. Segundo ela, há um equívoco ao associar esses casos apenas a contextos de vulnerabilidade econômica.

“Atendo mulheres de diversas profissões, inclusive de cargos públicos e da área jurídica. Todas estão suscetíveis”, disse.

Apesar disso, a advogada reconhece que existem recortes importantes, como o de raça e classe, que influenciam no acesso à justiça e na gravidade dos casos. Mulheres negras e de baixa renda, segundo ela, enfrentam maiores dificuldades para buscar proteção e tendem a ser mais expostas a situações de risco.

A presidente da Comissão da Mulher Advogada da Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Bahia também chamou atenção para a necessidade de fortalecimento das estruturas de atendimento, como a Casa da Mulher Brasileira, que, segundo ela, já opera com limitações diante da alta procura.

Para a especialista, o combate à violência contra a mulher passa tanto pelo aprimoramento das políticas públicas quanto pela transformação de padrões culturais enraizados na sociedade.