Lixo pós-festas desafia cidades e reacende debate ambiental no Carnaval
Especialista alerta para responsabilidade individual e destaca ações do poder público em Salvador
Por: Domynique Fonseca
09/01/2026 • 15:00 • Atualizado
A produção excessiva de lixo após grandes eventos voltou ao centro do debate ambiental na Bahia. O tema foi abordado pela advogada Tatiana Matos, especialista em direito ambiental e sustentabilidade, durante entrevista ao programa Portal Esfera, nesta sexta-feira (9), na rádio Itapoan FM (97,5), apresentado por Luis Ganem.
Ao comentar o impacto ambiental de festas populares, Tatiana destacou que o problema não se restringe ao Carnaval. Segundo ela, situações recentes, como o Réveillon e o Festival da Virada, já evidenciam falhas no comportamento coletivo em relação ao descarte de resíduos, sobretudo nas praias.
“As pessoas pedem paz, amor e felicidade, mas esquecem do mínimo, que é ser responsável pelo próprio lixo”, afirmou.
A advogada comparou eventos realizados em espaços fechados, como o Festival da Virada, com celebrações em áreas abertas. Apesar de reconhecer que há menor impacto visual em locais controlados, Tatiana ressaltou que o lixo descartado no litoral segue sendo um problema recorrente em praias de todo o país, a exemplo do que ocorre em Copacabana e em outros pontos do Brasil.
Durante a entrevista, ela também chamou atenção para uma contradição comum nas estratégias de limpeza urbana. Para Tatiana, o aumento do número de lixeiras nem sempre resulta em maior consciência ambiental.
“Quanto mais lixeira em determinado local, parece que menor é a responsabilidade das pessoas sobre como acondicionar o lixo”, avaliou.
Por outro lado, a especialista reconheceu avanços nas políticas públicas voltadas à sustentabilidade em Salvador. Tatiana citou campanhas promovidas tanto pelo governo do estado quanto pela prefeitura para o período do Carnaval, além de iniciativas específicas da Secretaria Municipal de Desenvolvimento e Urbanismo (Sedur), com foco na valorização e inclusão dos catadores de materiais recicláveis. Segundo ela, o projeto deve ter no Carnaval seu primeiro grande teste, com dados que poderão orientar ações futuras.
Sustentabilidade
A Secretaria Municipal de Sustentabilidade e Resiliência (Secis) também foi mencionada como responsável por campanhas pontuais voltadas à redução de impactos ambientais durante a maior festa popular da cidade.
Tatiana relembrou ainda que a preocupação com sustentabilidade no Carnaval de Salvador começou a ganhar forma entre 2008 e 2009. Na época, segundo ela, estudos com bioindicadores de poluição, conduzidos com apoio científico, ajudaram a repensar práticas como o uso de biodiesel nos trios elétricos e outras medidas ambientais.
Apesar dos avanços, a advogada foi enfática ao afirmar que o controle dos resíduos segue sendo um dos maiores desafios.
“O resíduo é praticamente incontrolável. Ele precisa ser controlado”, concluiu, reforçando que ações do poder público precisam caminhar junto com a mudança de comportamento da população.
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