Haddad critica tarifa de 50% dos EUA e vê motivação política
Ministro afirma que medida não tem justificativa econômica e que Brasil busca alternativas para manter exportações
Por: Lorena Bomfim
16/09/2025 • 11:16
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), voltou a criticar, nesta terça-feira (16), a decisão do governo dos Estados Unidos de impor uma tarifa de 50% sobre grande parte das exportações brasileiras destinadas ao mercado norte-americano.
As declarações foram feitas durante um evento promovido por um banco, do qual Haddad participou por videoconferência. A medida havia sido anunciada um dia antes pelo governo do presidente norte-americano, Donald Trump, que também ameaçou aplicar novas sanções contra o Brasil.
Ao justificar a decisão, Trump alegou que o país estaria promovendo uma “caça às bruxas” contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), seu aliado político. A Casa Branca afirmou que o Judiciário brasileiro estaria perseguindo Bolsonaro para inviabilizá-lo politicamente. Na semana passada, o ex-presidente foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 27 anos e 3 meses de prisão por liderar uma tentativa de golpe de Estado após ser derrotado nas eleições de 2022.
Haddad rebateu os argumentos do governo norte-americano e classificou a decisão como uma retaliação política.
— Declaradamente, é uma ação política. Não tem nada de econômico no movimento feito pelos EUA. Eles acumulam, em 15 anos, um superávit de bens e serviços de mais de US$ 400 milhões. Não havia nenhuma razão para o Brasil ter um tratamento diferente do Uruguai, do Paraguai, da Argentina e da América do Sul como um todo — afirmou.
O ministro reconheceu que o tarifaço afeta diversos setores, mas destacou que o Brasil tem buscado alternativas para minimizar os impactos.
— As nossas exportações para os EUA representam 12% do total, mas o que é atingido pela tarifa é cerca de 4%. Quase dois terços desse percentual são commodities que já estão sendo direcionadas para outros mercados. Neste momento, não está faltando comprador para as mercadorias brasileiras — disse.
Haddad ressaltou ainda que empresários brasileiros têm dialogado com autoridades americanas em busca de soluções.
— Está sendo feita uma gestão não apenas do governo, mas também do empresariado. Há um caminho, desde que haja boa vontade em separar o que é econômico do que é político — acrescentou.
O ministro reforçou que o Brasil está aberto ao diálogo, mas que não pode abrir mão do respeito às instituições.
— O Brasil tem toda a disposição de sentar à mesa, mas temos uma Constituição e uma separação de Poderes que precisam ser respeitadas. Temos de cumprir todos os trâmites previstos pela Constituição — concluiu.
Relacionadas
