Empresário baiano negociou repasse de R$ 8 milhões com dono do Master
Mensagens obtidas pela PF ligam baiano a pagamentos investigados
Por: Redação
01/06/2026 • 11:06 • Atualizado
Novas revelações da investigação da Polícia Federal sobre o suposto esquema envolvendo o Banco Master apontam a participação de um empresário baiano em negociações relacionadas a pagamentos milionários feitos por empresas que estão no centro das apurações.
De acordo com mensagens extraídas do celular do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, o empresário Marcelo Maia Souza Marques discutiu o pagamento de R$ 8 milhões para a empresa Mídias Promotora, apontada pelos investigadores como uma das estruturas utilizadas para movimentação de recursos ligados ao caso.
O diálogo citado pela PF ocorreu em maio de 2024. Nas conversas, Vorcaro pergunta: "Tudo bem? Mídias Promotora, 8 pau?". Em resposta, Marcelo afirma: "Fala, irmão. Bati com o Félix hoje de manhã. Ele disse que validou na sexta e pediu pra pagar hoje somente. O valor é esse mesmo. Se quiser, posso te ligar pra alinhar".
Divulgação
Segundo a investigação, Marcelo aparecia nos contatos do banqueiro sob o nome de "Marcelo Terra Firme", referência a uma das empresas vinculadas ao empresário Augusto Lima, ex-sócio do Banco Master e personagem recorrente nas apurações envolvendo investimentos do Rioprevidência.
Empresa recebeu mais de R$ 126 milhões
As investigações da Polícia Federal apontam que a Mídias Promotora estava registrada formalmente em nome de um terceiro, mas seria controlada pelo lobista Ricardo Siqueira Rodrigues, apontado como articulador político do grupo no Rio de Janeiro.
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Ainda conforme os investigadores, a empresa teria recebido cerca de R$ 126,6 milhões do Banco Master entre 2023 e 2025.
A PF sustenta que a estrutura era utilizada para realizar pagamentos com aparência de legalidade a pessoas ligadas ao esquema investigado. Nesse contexto, a troca de mensagens colocaria o empresário baiano em uma posição relevante dentro da cadeia de movimentação financeira analisada pelos investigadores.
O material faz parte do conjunto de provas reunidas durante a apuração que investiga possíveis irregularidades envolvendo operações financeiras ligadas ao banco.
Ligação com a Credcesta também aparece na apuração
O nome de Marcelo Maia Souza Marques já havia surgido em outras reportagens relacionadas ao universo empresarial ligado ao Banco Master.
Reportagem do UOL revelou que ele foi responsável pelo registro dos domínios dos sites Credicesta.com.br e Credcesta.com.br, plataformas associadas ao cartão consignado Credcesta.
A origem do negócio remonta ao processo de privatização da antiga Ebal, estatal baiana responsável pela rede Cesta do Povo. Ao longo dos anos, os direitos de operação passaram por diferentes empresas até chegarem a grupos empresariais ligados a Augusto Lima e, posteriormente, ao Banco Máxima, que mais tarde se transformaria no Banco Master.
Documentos citados na investigação mostram que o registro do site da Credcesta vinculado ao Banco Máxima foi realizado por Marcelo em julho de 2018.
Relações empresariais sob análise
Outro ponto destacado é a participação do empresário na AMF Consultoria e Assessoria Ltda, empresa da qual é sócio de André Kruschewsky, ex-diretor do Banco Master.
André é primo do ex-procurador-geral de Justiça da Bahia, Eugênio Kruschewsky, e ambos tiveram seus nomes citados durante trabalhos da CPMI do INSS, que analisou operações relacionadas ao Banco Master e à Credcesta.
Até o momento, as investigações seguem em andamento e os fatos mencionados integram o material reunido pela Polícia Federal no âmbito das apurações sobre a atuação financeira e política do grupo investigado.
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