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Governo reage na CPI e articula ofensiva para blindar ministros do STF

Estratégia do Planalto tenta conter oposição e proteger Moraes e Toffoli na comissão

Por: Redação

24/02/202612:19

Movimentos recentes do Palácio do Planalto revelam uma articulação para conter a ofensiva da oposição na CPI do Crime Organizado e blindar ministros do Supremo Tribunal Federal. O foco é evitar convocações que atinjam Alexandre de Moraes e Dias Toffoli.

Foto Governo reage na CPI e articula ofensiva para blindar ministros do STF
Foto: STF / Divulgação

Na segunda-feira 23, líderes governistas protocolaram 21 requerimentos com alvos na oposição. A iniciativa partiu do líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues e do senador Jaques Wagner, ambos do PT, ampliando o escopo da CPI para figuras políticas e ex-integrantes do governo anterior.

Entre os pedidos estão convocações do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, além de ex-ministros de Jair Bolsonaro, como Paulo Guedes, João Roma e Ronaldo Bento. Também consta o ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto.

A lista inclui ainda governadores de oposição, como Cláudio Castro e Ibaneis Rocha, além de nova tentativa de alcançar o senador Flávio Bolsonaro, por meio da convocação de Letícia Caetano dos Reis, ex-contadora do parlamentar.

Nos bastidores, a avaliação é de que a estratégia busca neutralizar requerimentos da oposição que miram Moraes e Toffoli, e também deslocar o foco de eventuais convocações contra o governo, como a de Augusto Lima, citado como ex-sócio de Daniel Vorcaro e próximo de Jaques Wagner.

Os pedidos envolvendo os ministros do STF devem entrar em apreciação nesta quarta-feira 24. O PT controla a pauta da CPI, presidida pelo senador Fabiano Contarato, o que pode acelerar a votação dos requerimentos governistas.

Mesmo assim, a oposição calcula ter votos suficientes para aprovar convocações contra Moraes e Toffoli. A comissão tem 12 integrantes, com cinco oposicionistas, e aposta no voto do senador independente Alessandro Vieira. O presidente da CPI só vota em caso de empate.

Procurados, Randolfe Rodrigues e a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, não comentaram. O líder do PT no Senado, Rogério Carvalho, também preferiu não se manifestar.