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Ceasa do Ogunjá é fechada por risco estrutural

Corrosão e rachaduras motivaram interdição imediata do centro comercial

Por: Iago Bacelar

30/05/202512:03

A Ceasa do Ogunjá, em Salvador, está interditada e com as atividades suspensas. A Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Estado da Bahia (SDE) anunciou a decisão nesta quinta-feira (28) após receber recomendação da Superintendência de Patrimônio (Supat), ligada à Secretaria da Administração (Saeb), que identificou riscos para quem transita no local.

Ceasa do Ogunjá é fechada por risco estrutural
Foto: Reprodução/TV Bahia

Relatório aponta rachaduras e corrosão

Segundo engenheiros responsáveis pela vistoria, a interdição imediata foi necessária por conta de rachaduras em pilares, recalque nas fundações e corrosão em estruturas metálicas essenciais para a sustentação do prédio. A análise técnica também detectou que o solo da Ceasa apresenta lençol freático muito superficial e acúmulo de água durante períodos de chuva, agravando a situação de instabilidade.

A SDE afirmou em nota que "o objetivo da interdição é evitar riscos a quem trabalha e circula no mercado". O local abriga 41 permissionários que terão que desocupar os galpões, conforme determinado pela pasta.

Reunião para discutir alternativas

A Secretaria informou que está em contato com os permissionários para discutir soluções provisórias e alternativas enquanto o prédio permanece interditado. Uma reunião foi marcada para o dia 5 de junho, às 14h, com objetivo de dialogar e apresentar propostas que atendam às necessidades dos comerciantes.

A SDE explicou que a medida foi tomada na noite de quarta-feira (28), após receber a recomendação da Supat. O alerta dos engenheiros e a vistoria técnica confirmaram que não era possível garantir a segurança do espaço, justificando o fechamento imediato.

Permissionários relatam surpresa com interdição

A filha de uma permissionária, Ana Carolina dos Santos, contou ao g1 que os comerciantes foram pegos de surpresa com o aviso da interdição, que ocorreu por volta das 15h de quinta-feira.

"Eles disseram que, dentro do prazo de 24 horas, não era para abrir nada e que amanhã [sexta-feira (20)] ficaria aberto para que os permissionários pudessem retirar suas mercadorias, seus objetos e tudo de dentro dos galpões, porque seria fechado" relatou Ana Carolina.

Ela reconheceu que o mercado precisava de reforma, mas disse que os permissionários querem respostas das autoridades sobre onde poderão trabalhar até que o prédio seja reaberto.

Pedido de solução para trabalhadores

Ana Carolina afirmou que a situação é delicada para famílias que dependem da Ceasa para sobreviver. Segundo ela, o mercado foi fundamental para custear seus estudos até a formatura em Direito, em dezembro de 2024.

"Eu me formei no curso de Direito em dezembro de 2024, graças ao trabalho de minha mãe na Ceasa durante 15 anos. É muito humilhante e triste ver a forma como eles trataram as pessoas que lutam pra conseguir pagar suas dívidas e sobreviver" disse.

Ceasa do Ogunjá aguarda medidas

A SDE não deu prazo para as obras ou recuperação estrutural do prédio, mas afirmou que a reunião marcada com permissionários deve abrir caminho para soluções emergenciais. O órgão garantiu que vai ouvir as demandas e buscar alternativas para minimizar o impacto da interdição.

A Ceasa do Ogunjá funciona como um importante centro de comércio na capital baiana. A suspensão das atividades afeta diretamente a renda de dezenas de famílias que dependem do mercado para trabalhar e garantir o sustento. Até que haja definição sobre reparos ou um novo espaço provisório, os permissionários terão que lidar com as incertezas trazidas pela interdição.