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Lula cobra fim de ameaças e aposta em “química” para negociar com Trump nos EUA

Encontro entre os dois presidentes deve ocorrer em março, em Washington

Por: Redação

22/02/202610:00Atualizado

A sinalização do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre uma possível ofensiva contra o Irã provocou reações no Palácio do Planalto. O tema deve entrar na pauta do encontro entre o norte-americano e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), previsto para a segunda metade de março, em Washington. A reunião foi alinhada em conversa telefônica entre os dois líderes, mas ainda não tem data fechada.

Reunião entre Lula e Trump
Foto: Ricardo Stuckert/PR

Na quinta-feira (19), durante a primeira reunião do Conselho de Paz sobre a Faixa de Gaza, Trump indicou que pode avançar contra o Irã, deixando em aberto a possibilidade de um ataque ou de um acordo diplomático. Ao abordar o cenário, pontuou: “Podemos ter de dar um passo adiante, ou talvez não”. Talvez vamos fazer um acordo. Vocês vão descobrir nos próximos 10 dias, provavelmente”.

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Já em coletiva realizada na Índia neste domingo (22), Lula afirmou que pretende aproveitar o encontro para questionar o posicionamento dos EUA na América do Sul e no cenário internacional. O presidente brasileiro sinalizou que considera necessário estabelecer limites diante de declarações que envolvem ameaças a outros países e defendeu uma atuação mais cooperativa de Washington na região:

“Quero discutir com eles qual é o papel dos Estados Unidos na América do Sul. Qual é o papel deles? É de ajudar ou de ficar ameaçando? Agora está ameaçando o Irã, ou seja, é preciso colocar um paradeiro nisso."

Lula também destacou que pretende conduzir a conversa de forma direta, apostando na diplomacia pessoal como ferramenta para tratar de divergências. Segundo ele, o contato presencial pode facilitar entendimentos e reduzir tensões em temas sensíveis da agenda internacional.

 “Eu acredito muito em uma coisa chamada negociação. Você sabe que essa história de química entre eu e o Trump [...] De você tocar na mão, de você olhar no olho, de você poder conversar diretamente com as pessoas, que você pode resolver qualquer problema. [...] eu faço isso a vida inteira. E eu quero continuar fazendo isso e quero fazer essa reunião com o Trump para isso”, completou.