Logo

EUA retiram seis vacinas do calendário infantil e decisão gera reação negativa

Governo Trump altera recomendações de imunização e medida provoca críticas de especialistas

Por: Redação

06/01/202610:26

O governo dos Estados Unidos anunciou nesta segunda-feira (5) uma mudança significativa na política de vacinação infantil, ao retirar seis vacinas da lista de recomendações universais para crianças. A decisão foi formalizada pelo Departamento de Saúde e Serviços Humanos (HHS), atualmente comandado por Robert F. Kennedy Jr., e integra uma revisão mais ampla incentivada pelo presidente Donald Trump.

Foto EUA retiram seis vacinas do calendário infantil e decisão gera reação negativa
Foto: Reprodução / Redes Sociais Instagram / @realdonaldtrump

Com a nova diretriz, deixam de ser recomendadas de forma rotineira as vacinas contra gripe, hepatite A, hepatite B, meningococo, vírus sincicial respiratório e rotavírus. Antes disso, a vacina contra a Covid-19 já havia sido excluída do calendário infantil universal.

A partir de agora, esses imunizantes passam a ser indicados apenas para crianças consideradas de alto risco ou mediante avaliação médica individual, dentro do modelo chamado de decisão compartilhada entre profissionais de saúde e famílias.

Governo cita alinhamento internacional

Segundo o secretário de Saúde, a revisão busca aproximar os Estados Unidos do que o governo classifica como consenso internacional em imunização pediátrica. Em nota, o HHS citou países como a Dinamarca, que adota um calendário com menos vacinas obrigatórias na infância.

Em publicação nas redes sociais, Donald Trump afirmou que o calendário anterior estava “inflado” e reforçou que os pais continuam livres para vacinar completamente os filhos. De acordo com o governo, os planos de saúde seguirão cobrindo os imunizantes, mesmo fora da recomendação universal.

Com a mudança, os EUA passam a recomendar 11 vacinas universais na infância, número inferior às 17 indicadas anteriormente. Para comparação, a França exige 12 vacinas obrigatórias, enquanto outros países europeus adotam modelos variados.

Comunidade médica reage e alerta para riscos

A decisão provocou forte reação entre especialistas em saúde. Pediatras e infectologistas afirmam que a comparação internacional ignora diferenças estruturais entre os países, como perfil populacional, sistemas de saúde e circulação de doenças infecciosas.

Para o pediatra Sean O’Leary, especialista em doenças infecciosas, o calendário vacinal infantil norte-americano é um dos mais estudados do mundo. Segundo ele, alterações desse porte deveriam se basear exclusivamente em evidências científicas robustas.

Pesquisadores da Universidade de Minnesota também contestaram o uso da Dinamarca como referência, destacando que o país europeu possui população menor, sistema de saúde altamente centralizado e baixa prevalência de doenças infecciosas, realidade distinta da norte-americana.

As críticas alcançaram até setores do Partido Republicano. O senador Bill Cassidy, médico de formação, afirmou que a mudança carece de transparência e pode gerar insegurança entre médicos e pacientes, além de enfraquecer a confiança na vacinação, já abalada após a pandemia.

Especialistas alertam ainda para o risco de retorno de doenças antes controladas, como sarampo e meningite, especialmente em comunidades com menor acesso à saúde. Embora a obrigatoriedade de vacinas para matrícula escolar seja definida pelos estados, as diretrizes federais costumam orientar políticas locais.

Diante do novo cenário, alguns estados já discutem estratégias próprias para manter calendários vacinais mais amplos, enquanto cresce a preocupação de que a medida amplifique a hesitação vacinal em um momento de queda nas taxas de cobertura infantil nos Estados Unidos.